Formado nas categorias de base do clube, o inglês de 24 anos marcou o golo da vitória sobre o Atlético de Madrid e carimbou o passaporte para Budapeste, realizando o sonho de uma vida e o de milhões de adeptos
Por Redação Infonews24hs | 5 de maio de 2026
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| Bukayo Saka Arsenal Final Champions League 2026 — Bukayo Saka Arsenal Champions League Final 2026 |
Há histórias que parecem escritas por alguém com um sentido de drama apurado. A do Arsenal na Champions League 2025/26 tem um nome próprio: Bukayo Saka. O menino que entrou na academia do clube aos 7 anos de idade, que subiu todos os degraus das camadas jovens, que estreou na equipa principal aos 17, que sofreu nas más fases, que ouviu críticas quando falhou um penálti decisivo no Euro 2020, que nunca desistiu. Hoje, aos 24 anos, Bukayo Saka é o herói que levou o Arsenal de volta a uma final da Liga dos Campeões, 20 anos depois. O golo marcado ao Atlético de Madrid, na segunda mão das meias-finais, vai ficar gravado na memória dos adeptos gunners para sempre.
Para mais informações sobre a campanha do Arsenal na Premier League e os desafios da equipa, consulte o nosso artigo sobre a luta pelo título inglês.
A história de uma criação caseira
Bukayo Saka nasceu em Ealing, Londres, a 5 de setembro de 2001. Filho de pais nigerianos, o menino que brincava na rua com os amigos foi descoberto muito cedo pelo Arsenal. Aos 7 anos, entrou para a academia do clube. Enquanto outros miúdos sonhavam em jogar na Premier League, Saka já estava a dar os primeiros passos para tornar esse sonho realidade. Cresceu em Greenford, a cerca de 15 quilómetros do Emirates Stadium, e treinava três vezes por semana nas categorias de base.
A subida foi meteórica. Aos 17 anos, estreou-se na equipa principal, numa altura em que o Arsenal vivia tempos de transição pós-Wenger. A paciência, a humildade e a capacidade de trabalho do jovem impressionaram todos os treinadores por onde passou. Unai Emery deu-lhe a estreia. Mikel Arteta, que o conheceu ainda como jogador, acreditou nele como treinador e tornou-o peça fundamental do seu projeto. A 1 de julho de 2020, Saka assinou o seu primeiro contrato profissional de longa duração, um voto de confiança do clube no seu valor.
Hoje, Bukayo Saka é o rosto do Arsenal e um dos símbolos da nova geração do futebol inglês. Foram 252 jogos pelo clube, 58 golos e 45 assistências. Na presente temporada, leva 14 golos e 12 assistências em todas as competições. Os números são de craque, mas a história vai muito além das estatísticas.
O golo que entrou para a história
O Emirates Stadium viveu uma noite mágica. O jogo estava empatado a 1-1 no agregado depois da primeira mão em Madrid. O Arsenal dominava, mas o Atlético de Madrid, comandado por um Diego Simeone especialista em jogos de pressão, aguentava o resultado com uma organização defensiva exemplar. O empate a zero daria o apuramento aos espanhóis, pelo golo fora de casa. A tensão era palpável.
Aos 63 minutos, a jogada que mudou a história do clube. O Arsenal trocou a bola no meio-campo, Ben White subiu pela direita e cruzou rasteiro para a área. A defesa do Atlético afastou de cabeça, mas a bola sobrou para Saka na entrada da área. O inglês não pensou duas vezes. Com o pé esquerdo, disparou um foguete que ainda tocou levemente num defesa antes de se alojar no fundo das redes, rente ao poste de Jan Oblak. O golo do apuramento. O golo do regresso à final. O golo que valeu 20 anos de espera.
O antigo defesa e capitão do clube, Tony Adams, em lágrimas na cabine de comentários da TNT Sports, resumiu o sentimento de milhões. "Este miúdo é a alma do Arsenal. Chegou aqui com 7 anos, nunca desistiu, nunca se queixou, nunca pediu para sair. É a personificação do que significa ser um gunner. Estou tão orgulhoso", afirmou o inglês visivelmente emocionado.
As lágrimas de Saka: o peso das críticas e a redenção
Quando o árbitro apitou para o final, Saka caiu de joelhos no relvado. As lágrimas corriam-lhe pelo rosto. Não era apenas o golo da vitória. Era a superação de uma história de críticas que o perseguiram. Em 2021, no Euro 2020, Saka foi o jogador que falhou o penálti decisivo na final de Wembley, diante de 90 mil espectadores e de milhões de telespectadores em todo o mundo. Inglaterra perdeu o título. Saka tornou-se alvo de críticas duríssimas e, pior ainda, de ataques racistas nas redes sociais. A pressão foi imensa, mas o jovem nunca desistiu, e a força da sua fé ajudou-o a manter-se de pé.
Em conferência de imprensa, Saka falou sobre esse momento. "Foi o dia mais difícil da minha carreira. Quis desaparecer. Mas o apoio da minha família, dos meus companheiros e dos adeptos do Arsenal deu-me forças para continuar."
Hoje, o mesmo jogador que falhou um penálti numa final europeia marca o golo que coloca o Arsenal na final da Champions. A redenção está completa. Entre as lágrimas, Saka ainda encontrou energia para se ajoelhar e rezar no relvado do Emirates, num momento de profunda emoção partilhada pelos adeptos e pelo mundo. "Dedico este golo a todos os que nunca deixaram de acreditar em mim. Aos meus pais, que me trouxeram aos treinos dia sim, dia sim, mesmo quando chovia. Aos meus treinadores das camadas jovens, que me ensinaram os valores do clube. Aos adeptos do Arsenal, que me apoiaram nos momentos bons e nos momentos maus. Este é o maior momento da minha vida", disse.
Sobre a importância da força familiar e cultural na formação de atletas, leia o nosso artigo sobre a origem africana de Vinícius Júnior.
A reação de Arteta: "É a personificação do Arsenal"
Mikel Arteta, que apostou em Saka desde o primeiro dia do seu reinado em Londres, não podia estar mais orgulhoso. "Bukayo é a personificação do que queremos para este clube. Talento, humildade, trabalho, resiliência. Caiu, levantou-se, e hoje é o herói de milhões. Este golo é dele, mas é também de todos os que acreditaram nele. Quando ele falhou o penálti no Euro, eu disse-lhe: 'vais ter muitas outras oportunidades de fazer história'. Hoje, ele fez história."
Arteta revelou ainda que Saka jogou os últimos 20 minutos do jogo com dores. "Ele estava exausto, podia ter pedido para sair, mas recusou. Disse-me: 'treinador, eu fico até ao fim. Morro em campo se for preciso'. Isto é o Arsenal. Isto é Bukayo Saka."
O técnico espanhol, que tem sido fundamental na reconstrução do clube, também não escondeu a emoção. "Há três anos ninguém acreditava que este Arsenal podia chegar a uma final da Champions. Hoje estamos aí. E temos o Bukayo para agradecer."
O que vem a seguir: Budapeste à espera
Agora, o Arsenal espera pelo vencedor do outro duelo das meias-finais entre PSG e Bayern Munich. A final está marcada para 30 de maio de 2026, no Puskás Aréna, em Budapeste. É a segunda final da Champions na história do clube, 20 anos depois da derrota para o Barcelona em Paris, em 2006. O Arsenal nunca venceu a Liga dos Campeões. Esta é a oportunidade de finalmente erguer a orelhuda.
Saka, que tem contrato com o Arsenal até 2027, já garantiu que quer ficar no clube para sempre. "O Arsenal é a minha casa. Entrei aqui aos 7 anos, quero terminar aqui a minha carreira. E quero ganhar títulos. A Champions é o maior de todos. Vamos dar tudo para trazer a taça para casa."
Bukayo Saka, o menino que entrou com 7 anos na academia do Arsenal, hoje leva o clube do coração à final da Champions. Uma história de superação, de raça, de amor à camisola. E que ainda não acabou. O último capítulo está por escrever, em Budapeste.
Aviso importante: Este artigo tem fins exclusivamente informativos. As informações sobre jogos e classificações baseiam-se em fontes públicas e podem ser atualizadas pelos clubes após a publicação.
