![]() |
Jensen Huang dobrou a sua previsão em apenas um ano. A empresa cresceu 700% em três anos e agora vale, em pedidos de chips, metade do PIB anual do Brasil |
O fundador e CEO da Nvidia, Jensen Huang, anunciou em março de 2026, durante a conferência anual GTC em San Jose, na Califórnia, que a empresa projecta atingir pelo menos 1 trilhão de dólares em pedidos de chips de inteligência artificial até 2027. O número dobra a previsão de 500 mil milhões de dólares que a própria empresa havia divulgado apenas um ano antes. O crescimento é tão vertiginoso que, a cada novo GTC, a projeção duplica.
"Vejo, através de 2027, pelo menos 1 trilhão de dólares", afirmou Huang durante o seu discurso de abertura, que durou mais de duas horas e meia perante uma sala esgotada. A projeção refere-se especificamente às duas famílias de chips mais recentes da empresa: o Blackwell, já em plena produção, e o Vera Rubin, previsto para o segundo semestre de 2026, com uma performance dez vezes superior por watt e composto por 1,3 milhão de componentes.
A trajectória da Nvidia nos últimos três anos é, em si mesma, um fenómeno sem paralelo na história empresarial. A empresa passou de uma receita anual de 26 mil milhões de dólares em 2023 para 215 mil milhões em 2026, um crescimento acumulado de mais de 700%. Se atingir a meta de 1 trilhão em pedidos até 2027, o seu faturamento acumulado no período superaria o que a Apple e a Amazon geraram juntas em 2025.
A escala dos números ajuda a compreender a dimensão do que está em jogo. O PIB do Brasil em 2025 foi de cerca de 2,2 trilhões de dólares. A Nvidia projecta arrecadar, em chips de inteligência artificial ao longo de dois anos, praticamente metade de tudo o que o Brasil produz num ano inteiro com os seus 215 milhões de habitantes, a sua agricultura recordista, a sua indústria e todos os serviços somados.
Huang foi além dos chips. Afirmou que os gastos globais com centros de dados deverão atingir entre 3 e 4 trilhões de dólares por ano até 2030. Anunciou também uma parceria com a Uber para lançar frotas de veículos autónomos em 28 cidades de quatro continentes até 2028, começando por Los Angeles e São Francisco. A Nissan, a BYD, a Hyundai e a Geely foram igualmente mencionadas como parceiros no desenvolvimento de veículos autónomos com tecnologia Nvidia.
"A demanda por computação está a crescer exponencialmente. O ponto de inflexão da terceira geração de IA, o modelo agêntico, chegou", disse o executivo, que descreveu um mundo onde cada fábrica, cada automóvel e cada empresa se transforma num "gerador de tokens de IA".
A corrida pela infraestrutura de IA já não é uma aposta no futuro. É o maior ciclo de investimento tecnológico da história humana, a decorrer agora.
Nvidia projecta 1 trilhão de dólares em chips de IA até 2027, dobrando previsão anterior. Jensen Huang GTC 2026 revela chips Blackwell e Vera Rubin como motor de crescimento. Nvidia AI chips revenue trillion 2027 redefine escala da tecnologia global.
