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| Guerra no Oriente Médio, petróleo acima de 100 dólares e incerteza geopolítica combinaram-se para tornar março de 2026 num dos meses mais difíceis para os investidores desde a pandemia |
Os mercados financeiros globais encerraram março de 2026 sob forte pressão. As bolsas europeias registaram a sua maior queda mensal em quase dois anos, arrastadas pelo impacto da guerra entre os EUA, Israel e o Irã, pelo choque nos preços do petróleo e pela volatilidade crescente em praticamente todos os activos de risco. O índice pan-europeu Stoxx 600 acumulou quedas expressivas ao longo do mês, com os sectores da aviação, turismo e banca entre os mais penalizados.
O índice Nikkei 225 do Japão abriu março em queda de 1,38%. As bolsas da Austrália e da Coreia do Sul seguiram a mesma tendência. Wall Street também não escapou: os futuros do S&P 500 chegaram a recuar 1,5% numa única sessão, e o Nasdaq 100 perdeu 1,9%. O HSBC caiu 13,9% num só mês. As acções das companhias aéreas despencaram, com a IAG, dona da British Airways, a perder 6,6% numa única sessão após a disrupção nos voos no Oriente Médio.
Do lado positivo, quem detinha energia e ouro saiu a ganhar. "O mercado não está a comportar-se de forma errática. É assim que um mercado eficiente se comporta diante de uma incerteza radical", disse Steven Grey, director de investimentos da Grey Value Management. A Petrobras valorizou 23,5% em dólares desde o início do conflito. As petrolíferas europeias registaram os maiores ganhos mensais em anos.
No Brasil, o Ibovespa conseguiu fechar março com saldo positivo de capital externo, apesar da aversão ao risco global. O investidor estrangeiro manteve posições na bolsa brasileira, atraído pela exposição ao petróleo e às commodities agrícolas, activos que servem de cobertura natural num ambiente inflacionário. O ouro, por sua vez, registou máximos históricos nas primeiras semanas do conflito antes de uma correção técnica.
A incerteza domina as perspectivas para abril. Trump adiou o seu ultimato militar ao Irã para 6 de abril. As negociações nucleares permanecem num impasse. O G7 mantém reuniões de emergência. E o mercado do petróleo continua a precificar o risco como se o pior ainda pudesse estar por vir.
Para os investidores de Angola e Brasil, o conselho dos analistas é claro: priorizar a resiliência da carteira, com foco em qualidade, diversificação e exposição a activos indexados à inflação ou ao dólar. Pelo menos até que o fumo do Oriente Médio comece a dissipar-se.
