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| O fecho do Estreito de Ormuz pelo Irã, por onde passa 20% do petróleo mundial, disparou os preços da energia, derrubou bolsas em todo o mundo e coloca em risco a estabilidade financeira global |
O petróleo WTI fechou acima dos 100 dólares pela primeira vez desde o início da guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irã, iniciada a 28 de fevereiro de 2026. As cotações do barril acumulam uma alta superior a 50% desde o início do conflito, num choque energético que os mercados não viam desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022.
O gatilho principal é o Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária iraniana fechou efetivamente este corredor marítimo, por onde transitam entre 20% e 25% de todo o petróleo e gás natural liquefeito do planeta. As retaliações de Teerã contra alvos nos países do Golfo Pérsico também reduziram a oferta de grandes produtores como o Bahrein e o Catar, agravando ainda mais o desequilíbrio entre oferta e procura.
"Além dos desafios da travessia do Estreito de Ormuz, uma parcela substancial da produção de petróleo foi reduzida. Isso está a criar riscos significativos e crescentes para o mercado", afirmou Fatih Birol, director executivo da Agência Internacional de Energia.
Os mercados financeiros responderam com violência. As bolsas globais caíram, os sectores da aviação e do turismo acumularam perdas expressivas, e o ouro e o dólar subiram como activos de refúgio. No lado oposto, as acções das grandes petrolíferas dispararam. A BP subiu 22% em apenas um mês, a TotalEnergies 16,7% e a Shell 13,3%. No Brasil, a Petrobras registou uma valorização de 23,5% em dólares desde o início do conflito.
O G7 reuniu-se de urgência para discutir a crise, mas as potências ocidentais decidiram, por ora, não libertar as reservas de emergência estimadas em 1,2 mil milhões de barris. "O que acordamos foi usar todas as ferramentas necessárias, se preciso for, para estabilizar o mercado", disse o ministro da Economia francês, Rolando Lescure.
Para Angola e Brasil, a equação tem dois lados. Ambos os países exportam petróleo e beneficiam directamente da alta dos preços. Mas a pressão inflacionária global que se segue, o aumento nos custos de frete e a valorização do dólar representam riscos para os seus sectores produtivos e para o poder de compra das populações. Analistas do Banco Safra e da Suno Research projectam que o barril pode atingir entre 100 e 120 dólares em caso de bloqueio prolongado.
Trump adiou até 6 de abril o seu ultimato de ataques às instalações energéticas do Irã, alegando um "pedido do governo iraniano" e avanços nas negociações. O Irã negou que existam conversações activas. O mercado observa. E o contador não parou.
