DORMIR TARDE PREJUDICA? A CIÊNCIA RESPONDE COM NÚMEROS E REVELA OS RISCOS QUE POUCOS CONHECEM

DORMIR TARDE PREJUDICA? A CIÊNCIA RESPONDE COM NÚMEROS E REVELA OS RISCOS QUE POUCOS CONHECEM

Estudo com mais de 323 mil adultos publicado no Journal of the American Heart Association revela que noite adentro aumenta risco cardiovascular; danos cerebrais e metabólicos são identificados em novas pesquisas

Por Redação Infonews24hs | 17 de abril de 2026

Jovem adulto sentado na cama com telemóvel na mão, ecrã iluminado, quarto escuro, expressão de cansaço, ilustrando o hábito de dormir tarde.
Estudo com mais de 323 mil adultos revela que dormir tarde aumenta o risco de ataque cardíaco e AVC em 16 por cento.

Dormir tarde é um hábito cada vez mais comum, mas a ciência tem mostrado que esta prática pode estar a comprometer a sua saúde de formas que vão muito além do cansaço matinal. Uma análise publicada no Journal of the American Heart Association, que incluiu mais de 323 mil adultos do UK Biobank, revelou que as pessoas que se deitam tarde (night owls) têm um risco 16 por cento maior de sofrer um ataque cardíaco ou Acidente Vascular Cerebral (AVC) em comparação com a população em geral .

O mais preocupante é que este risco não desaparece mesmo quando a pessoa dorme as horas recomendadas. A investigação, liderada pelo Dr. Sina Kianersi, da Harvard Medical School, demonstrou que os maus hábitos de vida associados a quem dorme tarde (tabagismo, sedentarismo, alimentação irregular) são responsáveis por apenas 46 por cento do excesso de risco . Ou seja, mais de metade do dano permanece inexplicado pelos comportamentos visíveis, sugerindo que o próprio ato de dormir tarde pode ter um impacto direto no organismo.

O que os estudos revelaram

As investigações mais recentes analisaram dados de 323 mil participantes do UK Biobank, com idades entre 40 e 69 anos, durante um período de acompanhamento médio de 12 anos. Os estudos foram conduzidos no Reino Unido e nos Estados Unidos. A equipa de investigadores concluiu que o cronótipo noturno está associado a um risco cardiovascular aumentado, independentemente de outros fatores de risco tradicionais .

Paralelamente, uma pesquisa publicada em janeiro de 2026 no Journal of Affective Disorders, que analisou dados de 2.444 participantes com uma média de idade de 41,7 anos, revelou que dormir tarde está associado a piores resultados de saúde mental .

Principais números do estudo

  • 16 por cento mais risco de ataque cardíaco ou AVC para pessoas que dormem habitualmente tarde, em comparação com quem dorme cedo.
  • 46 por cento do excesso de risco cardiovascular associado a dormir tarde é explicado por maus hábitos de vida como tabagismo, sedentarismo e alimentação irregular.
  • 54 por cento do excesso de risco permanece inexplicado, sugerindo danos diretos ao organismo causados pelo desalinhamento do ritmo circadiano.
  • 3,4 anos de diferença na idade cerebral entre quem dorme tarde e quem dorme cedo, segundo estudo com 3.566 adultos publicado no Alzheimer's & Dementia.
  • 2 vezes mais probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2 em pessoas com cronótipo noturno, de acordo com uma meta-análise de 2025 .

Tabela 1. Comparação dos riscos por horário de dormir

Horário habitual de dormir Risco cardiovascular Efeito na saúde mental População mais afetada
Até às 23h (dormir cedo) Risco basal (referência) Melhor saúde mental População geral
Entre 23h e 00h Aumento moderado (8-10%) Pequena redução no bem-estar Adultos jovens
Após as 00h (dormir tarde) Aumento de 16% Piores resultados de saúde mental Homens e pessoas com menos de 60 anos

Porque é que dormir tarde faz mal

A explicação científica está no ritmo circadiano, o relógio biológico interno que regula o ciclo de sono-vigília e influencia praticamente todas as funções do organismo. Quando dormimos tarde, desalinhámos este relógio com o ciclo natural de luz e escuridão. Isto afeta a produção de melatonina (hormônio do sono), cortisol (hormônio do stress) e outros neurotransmissores essenciais.

Além disso, estudos recentes mostraram que dormir tarde está associado a piores resultados de saúde mental, incluindo maiores taxas de depressão, ansiedade e solidão. O impacto foi observado mesmo quando os participantes dormiam as 7-8 horas recomendadas, indicando que o horário de dormir é um fator independente da duração do sono.

Quem não deve dormir tarde regularmente

  • Pessoas com historial de doenças cardiovasculares – o risco aumentado de 16 por cento é particularmente relevante para quem já teve problemas cardíacos.
  • Indivíduos com diabetes tipo 2 – dormir tarde duplica o risco de desenvolvimento da doença e pode agravar o controlo glicémico.
  • Pessoas com depressão ou ansiedade – o desalinhamento circadiano pode piorar os sintomas.
  • Adolescentes e jovens adultos – a tendência natural para dormir tarde nesta fase da vida pode mascarar danos acumulativos a longo prazo.
  • Trabalhadores por turnos – o efeito do desalinhamento crónico do ritmo circadiano pode ser ainda mais severo.

O que isto muda para Angola e Brasil

Nos dois países, os hábitos de sono têm vindo a piorar nas últimas décadas. No Brasil, estima-se que cerca de 70 por cento da população não durma as horas recomendadas, e o uso excessivo de ecrãs à noite é um dos principais fatores. Em Angola, com a crescente penetração da internet móvel nas áreas urbanas, observa-se um padrão semelhante entre os jovens adultos, que cada vez mais trocam o sono noturno pelo tempo de ecrã.

Os dados do estudo são particularmente relevantes para Angola e Brasil porque ambos os países enfrentam uma epidemia silenciosa de doenças cardiovasculares. No Brasil, as doenças do coração são a principal causa de morte, responsáveis por cerca de 30 por cento dos óbitos anuais. Em Angola, a prevalência de hipertensão arterial ronda os 25 por cento da população adulta, e o controlo inadequado da pressão arterial é um problema de saúde pública.

Uma mudança simples — ajustar o horário de dormir para antes da meia-noite — pode ter efeitos profundos na saúde pública. A melhoria do alinhamento circadiano reduz a fadiga diurna, aumenta a produtividade e diminui o risco de doenças crónicas associadas ao desalinhamento do sono.

Conclusão

A evidência científica é clara: dormir tarde regularmente aumenta o risco de doenças cardiovasculares, afeta negativamente a saúde mental e pode acelerar o envelhecimento cerebral. O impacto é independente da duração do sono, o que significa que mesmo quem dorme as 7-8 horas recomendadas, mas se deita tarde, continua em risco. Ajustar o horário de dormir para antes da meia-noite é uma medida simples e eficaz para proteger a saúde a curto e longo prazo.

Tabela de recomendações práticas

Ação Detalhe Frequência
Estabelecer horário limite Deitar-se até às 23h, no máximo Todas as noites
Criar rotina de relaxamento 60 minutos sem ecrãs antes de dormir Diário
Manter consistência Dormir e acordar à mesma hora, incluindo fins de semana Diário
Evitar cafeína e álcool Não consumir nas 6 horas que antecedem o sono Diário
Expor-se à luz natural Pelo menos 30 minutos ao acordar, de preferência ao ar livre Diário

Aviso importante: este artigo tem fins exclusivamente informativos. Consulte o seu médico se tiver dificuldades persistentes para dormir ou se os sintomas de insónia se prolongarem por mais de 15 dias.

Referências completas

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    Paulo Poba

    Sou um apaixonado por futebol e anime, atualmente no último ano do curso de Ciência da Computação no Instituto Superior da Politécnico da Caaála. Desde cedo, sempre sonhei em ter um espaço dedicado a notícias esportivas, o que me levou a criar minha página em 2016. Desde então, venho me dedicando com afinco, buscando constantemente aprimorar meu conteúdo e alcançar um público cada vez maior. Meu objetivo é tornar minha plataforma uma referência no mundo esportivo, combinando minha paixão pelo esporte com minhas habilidades em tecnologia.

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