O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oficializou na última terça-feira, 31 de março, a maior reconfiguração ministerial do seu atual governo. Reunidos no Palácio do Planalto, em Brasília, ministros saintes e novos titulares ouviram do presidente a confirmação de um rearranjo que afeta ao menos 18 das 38 pastas — e pode chegar a 20, conforme o prazo eleitoral encerra neste sábado, dia 4 de abril.
O gatilho é a lei eleitoral. O calendário impõe que autoridades deixem cargos públicos entre três e seis meses antes do pleito, dependendo da função. No caso de ministros, o prazo final para desincompatibilização é 4 de abril. Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, o governo corre contra o relógio.
Ao todo, 20 dos 38 integrantes do primeiro escalão deixarão os postos para atividades relacionadas ao pleito. O número supera o do próprio Lula em 2006, quando 14 ministros saíram para concorrer. Em 2022, Jair Bolsonaro (PL) teve apenas 8 saídas. A dimensão histórica da debandada é inegável.
A estratégia do Planalto para segurar o barco é clara. A preferência é pela nomeação de secretários-executivos para assumir as pastas deixadas pelos ministros. O modelo já foi testado na Fazenda, onde Dario Durigan assumiu o lugar de Fernando Haddad, pré-candidato ao governo de São Paulo.
Entre as trocas mais simbólicas está a da Casa Civil. Rui Costa tenta uma vaga no Senado pela Bahia e entrega a pasta para Miriam Belchior, atual secretária-executiva do ministério. Outro nome de peso que se despede é Marina Silva, do Meio Ambiente, que deve entrar na corrida pelo Senado em São Paulo. Seu lugar será ocupado por João Paulo Ribeiro Capobianco.
O vice-presidente Geraldo Alckmin também fecha o capítulo ministerial. Durante a reunião, Lula oficializou a parceria que já estava no ar. "O companheiro Alckmin vai ter que deixar o MDIC. Ele vai ter que deixar porque ele será candidato a vice-presidente da República outra vez", afirmou o presidente.
Lula tentou temperar o momento com pragmatismo. Segundo o mandatário, as trocas foram feitas para evitar mudar o "trabalho que já está funcionando" faltando pouco tempo para o fim do mandato. A frase soou como um pedido velado de calma aos mercados e aliados.
Mas a magnitude da mudança tem peso político real. Treze ministros permanecem até o fim da gestão, entre eles Mauro Vieira (Relações Exteriores), José Múcio (Defesa), Alexandre Padilha (Saúde) e Wellington César Lima e Silva (Justiça). São as âncoras institucionais que Lula mantém intactas num governo que, a partir de agora, funciona em modo eleitoral.
A reorganização confirma o que muitos analistas já sinalizavam: o Brasil de 2026 começa oficialmente hoje. O governo já não governa apenas — ele também já faz campanha.
