Sector não petrolífero cresceu 171% e economia fechou 2025 com expansão de 5,7%, num sinal de que a diversificação começa a ganhar corpo
Angola registou em 2025 o maior volume de investimento directo estrangeiro fora do sector petrolífero desde 2008. O número, apurado com base em dados do Banco Nacional de Angola, mostra que o país está a atrair capital para além do crude pela primeira vez em quase duas décadas, num sinal de que as reformas económicas começam a produzir resultados concretos.
O investimento directo estrangeiro no sector não petrolífero disparou 171% em 2025, atingindo 959,4 milhões de dólares, contra os 353,5 milhões registados em 2024. Para encontrar um número semelhante é preciso recuar até 2008, quando Angola captou cerca de 1.265 milhões de dólares fora do Oil & Gas — o período de ouro da economia angolana, alimentado pelo boom pós-guerra.
O crescimento económico geral também surpreendeu positivamente. No quarto trimestre de 2025, o PIB angolano cresceu 5,7% face ao mesmo período do ano anterior, impulsionado pelas actividades não petrolíferas, que avançaram 7,34%. O sector petrolífero, por contraste, contraiu 1,21% — um sinal de que a mudança estrutural na economia está em curso, ainda que lenta.
Pela primeira vez em vários anos, o Orçamento Geral do Estado para 2026 prevê receitas não petrolíferas superiores às petrolíferas. O ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, classificou o facto como "uma mudança estruturante" e um sinal inequívoco do que está a acontecer com a economia angolana. O petróleo, a agricultura e o comércio representam agora os três maiores contribuintes para o PIB, cada um com cerca de 20%.
Mas os dados têm dois lados. O sector petrolífero ainda representa 90% de todo o investimento estrangeiro captado pelo país. Os 959 milhões fora do petróleo ficam muito aquém dos quase 9,8 mil milhões de dólares totais. A distância entre os dois mundos continua enorme, e os analistas alertam que o ambiente de negócios ainda afasta investidores dos sectores expostos às fragilidades internas — inflação elevada, burocracia e falta de mão-de-obra qualificada.
Apesar das limitações, há sinais de confiança crescente. O crédito à economia em moeda nacional atingiu 7,37 mil milhões de kwanzas em Dezembro de 2025, uma expansão acumulada de 22,6%. A digitalização dos pagamentos acelerou, com impacto positivo na inclusão financeira.
Angola começa a mostrar que consegue crescer para além do barril. O desafio, agora, é garantir que essa tendência não se perca na próxima oscilação do preço do petróleo.
