Aos 34 anos, craque volta à seleção após quase três anos de ausência; lesão grave, recuperação no Santos e vaga aberta por lesão de Estevão pesaram na decisão de Carlo Ancelotti
Por Redação Infonews24hs | 18 de maio de 2026
![]() |
| O atacante Neymar, de 34 anos, foi convocado pelo técnico Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo de 2026, regressando à seleção após quase três anos de ausência. |
A convocação de Neymar para a Copa do Mundo de 2026, anunciada no dia 11 de maio pelo técnico Carlo Ancelotti, surpreendeu muitos adeptos e analistas. O camisa 10, que não vestia a amarelinha desde a estreia nas eliminatórias, em setembro de 2024, parecia ter o seu ciclo na seleção encerrado. No entanto, uma combinação de fatores — lesões de jogadores-chave, recuperação impressionante no Santos e a aposta do treinador italiano — levou o atacante de 34 anos de volta ao cenário mundial. A lista final de 26 nomes para o Mundial, que começa a 11 de junho nos Estados Unidos, Canadá e México, inclui o nome do ídolo, numa decisão que divide opiniões, mas que Ancelotti justificou com "experiência e qualidade inquestionáveis".
Para mais informações sobre as estrelas que vão falhar o Mundial por lesão, consulte o nosso artigo completo.
O fator lesão: vagas abertas de última hora
O principal motivo que abriu as portas para Neymar foi a lesão grave do atacante Estevão, do Palmeiras. Considerado uma das grandes promessas do futebol brasileiro e certo na lista de Ancelotti, o jogador de 19 anos sofreu uma rotura do ligamento cruzado do joelho direito a 12 de abril, durante um jogo do Campeonato Brasileiro. Com a recuperação estimada em oito meses, o técnico italiano viu-se obrigado a encontrar um substituto de peso para a vaga no ataque.
Além de Estevão, outras baixas por lesão afetaram a seleção. O atacante Rodrygo, do Real Madrid, também está fora do Mundial devido a uma rotura do ligamento cruzado sofrida em março. O jogador de 25 anos, que tinha sido convocado para as últimas três competições, era presença assídua no esquema de Ancelotti. A dupla ausência de Estevão e Rodrygo criou um vácuo no ataque brasileiro que poucos jogadores teriam capacidade de preencher. Neymar, apesar da idade e do historial de lesões, surgiu como a opção natural para suprir essa lacuna.
Outra baixa importante foi a do atacante Gabriel Martinelli, do Arsenal, que se lesionou no joelho a 20 de abril, num jogo da Premier League contra o Chelsea. O jogador de 24 anos era uma das alternativas de velocidade para as alas, e a sua ausência deixou Ancelotti com menos opções para explorar os corredores.
Sobre a situação de Neymar na seleção antes das lesões, leia o nosso artigo anterior sobre a ausência do jogador.
A recuperação no Santos: o renascimento do ídolo
Quando Neymar regressou ao Santos, em janeiro de 2025, muitos pensaram que se tratava de um regresso melancólico, um prelúdio para a reforma. O jogador vinha de uma grave lesão no joelho, sofrida ainda ao serviço do Al-Hilal, na Arábia Saudita, em outubro de 2024. A recuperação foi longa e dolorosa, e o médio de 34 anos passou meses no estaleiro, com dúvidas sobre se algum dia voltaria a jogar ao mais alto nível.
No entanto, Neymar surpreendeu todos. Ao longo de 2025 e início de 2026, mostrou uma forma física e técnica que não se via desde os seus tempos áureos no Barcelona. Pelo Santos, o camisa 10 realizou 42 jogos, marcou 20 golos e deu 18 assistências, números que o colocam como o melhor jogador do futebol brasileiro na temporada. A entrega em campo, a liderança no balneário e a capacidade de decidir jogos grandes convenceram Ancelotti de que Neymar ainda pode ser útil à seleção.
"Ele está a jogar como não o via há anos. A motivação é outra, o físico respondeu bem, e a qualidade nunca esteve em causa", comentou o antigo jogador e comentarista Caio Ribeiro, na ESPN. O próprio Neymar afirmou, em entrevista ao programa "Que Papo É Esse?", do Podpah, que o objetivo era jogar o Mundial e que estava disposto a dar a vida pela seleção. "Se Deus quiser, estarei na Copa. É o meu maior sonho. Quero ganhar este título", desabafou o atacante, emocionado.
O peso da experiência e da liderança no balneário
Outro fator determinante para a convocação de Neymar foi a necessidade de experiência e liderança num balneário jovem. A seleção brasileira que Ancelotti convocou para o Mundial 2026 tem uma média de idades de 24,7 anos, a mais baixa desde a Copa de 2014. Jogadores como Vinicius Júnior, 25 anos, Endrick, 19 anos, e o próprio Estevão, que seria convocado, representam a nova geração, mas carecem de alguém que já tenha vivido a pressão de um Mundial.
Neymar, que vai para a sua quarta Copa do Mundo (2014, 2018, 2022 e 2026), conhece os truques, as armadilhas e a pressão que a competição traz. A sua voz de experiência pode ser crucial nos momentos de aperto. "Quando a coisa aperta, precisamos de jogadores que já passaram por ali. O Neymar sabe o que é jogar uma final de Copa, o que é ser caçado pelos adversários. Isso não se ensina, ganha-se com vivência", afirmou Ancelotti na conferência de imprensa da convocação.
A relação entre Neymar e os jogadores mais novos também tem sido elogiada. Nas redes sociais, Vinicius Júnior e Rodrygo, antes da lesão, trocavam mensagens de apoio e carinho com o antigo capitão, que assumiu publicamente o papel de "padrinho" da nova geração. A química no balneário é um trunfo que Ancelotti não quis desperdiçar.
A versatilidade tática: um coringa no ataque
Para além da experiência, Neymar oferece a Ancelotti uma versatilidade tática que poucos jogadores no mundo conseguem proporcionar. O camisa 10 pode jogar como extremo-esquerdo, como falso 9, como médio ofensivo ou até como segundo avançado. Esta polivalência é essencial para um treinador que gosta de variar o sistema tático consoante o adversário.
No Santos, Neymar jogou maioritariamente como falso 9, recuando para receber a bola e distribuir jogo. A experiência correu bem, com o jogador a registar uma média de 0,9 golos por jogo e 0,8 assistências por jogo. Ancelotti vê no veterano a possibilidade de alternar com Vinicius Jr. e Endrick no ataque, consoante as necessidades do jogo, mantendo a imprevisibilidade que caracteriza as grandes equipas.
Os dados são impressionantes: Neymar foi o jogador com mais dribles bem-sucedidos (112) no Campeonato Brasileiro em 2025, o segundo com mais passes para finalização (54) e o terceiro mais faltoso (87 faltas sofridas). Os números provam que o jogador ainda é capaz de desequilibrar e atrair faltas, um trunfo importante em jogos de alta intensidade onde as faltas perto da área podem decidir o rumo da partida.
Para entender a importância de jogadores experientes em momentos decisivos, veja a nossa análise sobre o que faltou ao Real Madrid para vencer o Bayern.
As críticas: "É um passo atrás"
A convocação de Neymar não foi, no entanto, pacífica. Muitos analistas e adeptos manifestaram a sua discordância, apontando para o historial de lesões do jogador, para o seu comportamento fora de campo e para a necessidade de dar espaço a novas gerações.
"É um passo atrás. O Neymar já teve a sua oportunidade, falhou nos momentos decisivos e agora, aos 34 anos, não está ao nível dos melhores. Devíamos apostar em jovens como Savinho, do Manchester City, ou no próprio Reiss, do Palmeiras", criticou o comentarista PVC, da Jovem Pan. O antigo jogador Neto foi ainda mais feroz: "O Neymar é um folclore. Vai para a Copa para fazer média nas redes sociais, não para ganhar títulos. O Ancelotti está a ser amigo, não treinador."
As críticas centram-se também no facto de Neymar não ser titular absoluto no Santos, tendo sido substituído em alguns jogos por opção técnica do treinador Pedro Caixinha. "Se não é indiscutível no Santos, como pode ser na seleção?", questionou o jornalista Mauro Cezar Pereira. Ancelotti respondeu às críticas em tom calmo: "Não é uma questão de ser titular ou não. É uma questão de qualidade. O Neymar, quando está bem, é top 5 do mundo. E agora ele está bem."
As críticas também vieram do balneário brasileiro, de forma anónima. "Há jogadores que não gostam da ideia de ele voltar porque sentem que mereciam a vaga. Mas o treinador decidiu, e temos de aceitar", confessou uma fonte ligada à CBF à revista Placar.
O que esperar de Neymar no Mundial
Com a convocação confirmada, as atenções viram-se agora para o papel que Neymar terá na equipa. É provável que comece no banco de suplentes, com Vinicius Jr. e Endrick a assumirem o protagonismo no ataque. No entanto, Ancelotti já disse que o camisa 10 terá minutos importantes, especialmente em jogos onde for preciso desbloquear defesas mais fechadas.
O grupo do Brasil no Mundial 2026 é acessível. A Canarinho vai defrontar Marrocos, Escócia e Haiti no Grupo C. A estreia está marcada para 16 de junho, em Miami, contra os marroquinos. A expectativa é que Neymar entre na segunda parte para ganhar ritmo e mostrar serviço. Se marcar um golo neste Mundial, Neymar tornar-se-á o maior goleador da história da seleção brasileira em Copas, ultrapassando Pelé (12 golos). Atualmente, está empatado com o Rei (12 golos) na lista de maiores marcadores do Brasil em Mundiais.
Para o jogador, é mais do que uma oportunidade de se redimir. É a chance de eternizar o seu nome na história do futebol mundial. Com os olhos do mundo postos sobre si, Neymar parte para o que promete ser o seu último grande desafio com a camisa da seleção. O sonho do hexacampeonato passa pelos pés, pela cabeça e pelo coração do craque de 34 anos, que quer provar que ainda é o menino prodígio de 2014.
Aviso importante: Este artigo tem fins exclusivamente informativos. As informações sobre convocatórias e lesões baseiam-se em fontes públicas e podem ser atualizadas pelos clubes e pela CBF após a publicação.
