DO SUPERCOMPUTADOR QUÂNTICO DE US$ 100 MILHÕES AO PREÇO DE UM CARRO POPULAR

DO SUPERCOMPUTADOR QUÂNTICO DE US$ 100 MILHÕES AO PREÇO DE UM CARRO POPULAR

Revolução silenciosa na computação quântica reduziu requisitos de milhões para menos de 10 mil qubits; Iceberg Quantum, Caltech e startups democratizam acesso a tecnologia antes restrita a governos e gigantes da tecnologia

Por Redação Infonews24hs | 3 de maio de 2026

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Avanços recentes na computação quântica estão a reduzir drasticamente os custos de hardware, aproximando uma tecnologia antes restrita a grandes laboratórios do mercado mais amplo.

Até recentemente, construir um computador quântico útil era um privilégio restrito a governos e gigantes da tecnologia, com orçamentos na casa das centenas de milhões de dólares. Os números eram assustadores: estimava-se que seriam necessários cerca de 1 milhão de qubits para construir uma máquina capaz de quebrar a criptografia RSA-2048, o padrão global de segurança digital que protege desde transações bancárias até comunicações militares. O custo projetado para uma instalação dessas ultrapassava os US$ 100 milhões, um valor proibitivo para qualquer empresa privada ou instituição de pesquisa de médio porte. Este cenário, no entanto, mudou radicalmente em 2026.

Para mais informações sobre avanços tecnológicos que estão a revolucionar a computação, consulte o nosso artigo sobre o Google DeepMind.

Do milhão à dezena de milhar: o salto quântico

O divisor de águas veio de duas frentes simultâneas. Uma equipa de investigadores do Caltech e da startup Oratomic publicou um estudo em março de 2026 demonstrando que, utilizando átomos neutros como qubits e uma arquitetura de correção de erros ultraeficiente, seria possível construir um computador quântico tolerante a falhas com apenas 10 mil a 20 mil qubits físicos [Fonte: Caltech]. A descoberta representa uma redução de até 99% no número de qubits necessários em relação às estimativas anteriores, que previam a necessidade de cerca de 1 milhão de qubits.

A chave para este avanço está na capacidade única dos sistemas de átomos neutros: os qubits podem ser movidos e conectados dinamicamente usando pinças ópticas. Esta propriedade permite a implementação de códigos de correção de erro de alta taxa (high-rate codes), onde cada qubit físico pode participar em múltiplos qubits lógicos simultaneamente [Fonte: Caltech]. “É realmente surpreendente como isto funciona bem. É o que chamamos de correção de erros ultraeficiente”, afirmou Manuel Endres, professor de física no Caltech.

Paralelamente, a startup australiana Iceberg Quantum apresentou a arquitetura Pinnacle, baseada em códigos de correção de erros QLDPC (quantum low-density parity-check), que reduz a barreira para quebrar o RSA-2048 para menos de 100 mil qubits físicos [Fonte: Iceberg Quantum]. A empresa já fechou uma ronda de investimento de 6 milhões de dólares e está a trabalhar com gigantes do hardware quântico como PsiQuantum, Diraq e IonQ, que projetam construir sistemas desta escala nos próximos três a cinco anos.

“A ambição é ajudar a acelerar a transição para a era tolerante a falhas da computação quântica”, afirmou Felix Thomsen, cofundador e CEO da Iceberg Quantum [Fonte: Business Insider]. A abordagem da Iceberg é aplicável a diferentes modalidades de qubits, incluindo fotónica, spins em silício e iões aprisionados.

Entre as aplicações práticas que se tornam viáveis com esta redução de escala estão simulações moleculares para descoberta de novos fármacos, otimização de cadeias de suprimentos, modelagem financeira, cibersegurança, e a capacidade de quebrar a criptografia atual, o que tem impulsionado um movimento global para a adoção de novos padrões de segurança pós-quântica [Fonte: Caltech].

Sobre a importância da segurança cibernética na era da computação avançada, leia o nosso artigo sobre backup imutável.

Computadores quânticos de bancada: a democratização chegou

Enquanto Caltech e Iceberg trabalham em escalas de dezenas de milhares de qubits, uma revolução paralela ocorre na ponta oposta do espectro. A startup alemã SaxonQ apresentou na Hannover Messe de abril de 2026 a terceira geração do seu computador quântico móvel, o QC2026 DUAL CORE. O dispositivo possui dois processadores quânticos de 5 qubits cada, operando em paralelo, e funciona à temperatura ambiente, sem necessidade de sistemas de refrigeração criogénica. O equipamento pode ser ligado a qualquer tomada elétrica comum e se assemelha em tamanho e custo a um computador de alto desempenho ou a um carro popular [Fonte: SaxonQ].

A tecnologia utilizada pela SaxonQ baseia-se em centros de nitrogénio-vacância (NV) em diamante, uma abordagem que dispensa os sistemas de refrigeração a temperaturas próximas do zero absoluto exigidos por outras arquiteturas, como os circuitos supercondutores utilizados por Google e IBM. “Na corrida para construir o primeiro computador quântico industrial amplamente utilizável, a escalabilidade é o fator decisivo”, afirmou Prof. Marius Grundmann, cofundador e CEO da SaxonQ. “Os nossos qubits em diamante funcionam de forma estável em qualquer ambiente há anos” [Fonte: SaxonQ].

O Dr. Frank Schlichting, CEO da empresa, complementou: “Não estamos a falar de teoria ou de dispositivos que só funcionam num ambiente de laboratório perfeito. Estamos a demonstrar que esta tecnologia em breve trará uma vantagem decisiva no fornecimento de energia, na investigação médica, na inteligência artificial e em muitas outras indústrias. Com o sistema dual-core, o caminho para um computador quântico num chip tornou-se muito mais curto” [Fonte: SaxonQ].

A democratização do acesso à computação quântica também está a acontecer através da nuvem, com empresas como IonQ a oferecerem os seus sistemas através dos principais provedores de cloud computing. A queda vertiginosa nos custos e na barreira de entrada está a transformar o que era exclusivo de nações e corporações bilionárias numa ferramenta acessível a universidades, startups e centros de pesquisa de médio porte.

📊 Impacto no mercado e a visão dos especialistas

O impacto da democratização do acesso à computação quântica já está a ser sentido em vários setores. Na área da saúde, a capacidade de simular interações moleculares complexas poderá acelerar significativamente o desenvolvimento de novos fármacos, reduzindo o tempo de pesquisa de anos para meses ou semanas. Na logística, algoritmos quânticos prometem otimizar rotas e cadeias de suprimentos com uma eficiência muito superior à alcançável com computadores clássicos.

No entanto, os especialistas alertam para o fenómeno de “hype” em torno da tecnologia. O banco de investimento UBS, na sua série Q-Series de março de 2026, estima que a “vantagem quântica” — o ponto em que os computadores quânticos superam claramente os clássicos em aplicações práticas — deverá chegar por volta de 2033 [Fonte: UBS]. A análise da Morningstar, citada pelo The Motley Fool, aponta para uma janela de comercialização inicial de 5 a 10 anos, com a computação quântica de uso geral a ficar 20 anos no horizonte [Fonte: Yahoo Finance].

O relatório do UBS também destaca que a China lidera o mundo em investimento público em tecnologia quântica, o que pode acelerar o desenvolvimento e a comercialização na região asiática. O banco suíço estima também que um computador quântico de 100 qubits lógicos em 2033 teria um desempenho equivalente a 1021 GPUs, com um custo de fabrico de apenas algumas dezenas de milhões de dólares – uma fração do custo das infraestruturas clássicas equivalentes [Fonte: UBS].

Apesar do otimismo, especialistas como John Preskill, do Caltech, lembram que ainda há desafios significativos pela frente. “Tenho trabalhado em computação quântica tolerante a falhas há mais tempo do que alguns dos meus coautores estão vivos. Agora, finalmente, estamos a chegar perto”, afirmou Preskill, um dos pioneiros na área [Fonte: Caltech].

A queda abrupta da barreira de entrada para a computação quântica é uma daquelas raras inflexões tecnológicas que separam o “antes” do “depois”. O que antes era território exclusivo de superpotências e corporações agora está ao alcance de universidades, centros de pesquisa e até pequenas empresas. O impacto desta democratização ainda está por ser totalmente compreendido, mas uma coisa é certa: a revolução quântica, que muitos acreditavam estar a décadas de distância, já começou e está mais acessível do que nunca.

Aviso importante: Este artigo tem fins exclusivamente informativos. As informações sobre cronogramas de desenvolvimento e custos de computadores quânticos baseiam-se em projeções de empresas e instituições de pesquisa e podem não se concretizar conforme o esperado. Investimentos em empresas de tecnologia quântica envolvem riscos elevados.

Referências completas

  1. Caltech Team Finds Useful Quantum Computers Could Be Built with as Few as 10,000 Qubits. Caltech. 31 March 2026. https://www.pma.caltech.edu/
  2. Iceberg Quantum unveils breakthrough in fault-tolerant quantum computing. GlobeNewswire. 12 February 2026. https://www.globenewswire.com/
  3. Premiere: Dual-Core Quantum Computer live at Hannover Messe. SaxonQ. 20 April 2026. https://www.saxonq.com/
  4. The Pinnacle Architecture: Reducing the cost of breaking RSA-2048 to 100,000 physical qubits. Semantic Scholar. February 2026. https://www.semanticscholar.org/
  5. IonQ Achieves First Photonic Interconnect Milestone. IonQ. 14 April 2026. https://www.ionq.com/
  6. Prediction: Quantum Computing, IonQ, Rigetti, and D-Wave Will Crash In 2026. Yahoo Finance. 22 January 2026. https://finance.yahoo.com/
  7. Quantum Computing: Hype vs. Reality. UBS Q-Series. March 2026. https://www.sohu.com/

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    Paulo Poba

    Sou um apaixonado por futebol e anime, atualmente no último ano do curso de Ciência da Computação no Instituto Superior da Politécnico da Caaála. Desde cedo, sempre sonhei em ter um espaço dedicado a notícias esportivas, o que me levou a criar minha página em 2016. Desde então, venho me dedicando com afinco, buscando constantemente aprimorar meu conteúdo e alcançar um público cada vez maior. Meu objetivo é tornar minha plataforma uma referência no mundo esportivo, combinando minha paixão pelo esporte com minhas habilidades em tecnologia.

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