Dedução de seis pontos, gestão desastrosa, rotação excessiva de treinadores e falta de compromisso dos jogadores explicam a queda do campeão de 2016 Por Redação Infonews24hs | 22 de abril de 2026
Dez anos depois de conquistar o mais improvável título da Premier League, o Leicester City tocou no fundo. O empate por 2-2 com o Hull City, no King Power Stadium, confirmou o segundo rebaixamento consecutivo e a queda para a League One, a terceira divisão inglesa. Uma combinação letal de fatores dentro e fora de campo explica esta desgraça anunciada. O clube que em 2016 desafiou todas as probabilidades e chegou aos quartos de final da Champions League na época seguinte, viu-se a braços com uma tempestade perfeita: dedução de pontos por violações financeiras, uma dança de treinadores que destabilizou a equipa, um plantel caro mas sem alma, e erros primários que se repetiram jogo após jogo. Eis os principais culpados. A punição financeira: o golpe que faltavaA gota de água para o afogamento do Leicester foi a dedução de seis pontos, aplicada em fevereiro de 2026 e confirmada em recurso no início de abril. O clube foi considerado culpado de violar as regras de rentabilidade e sustentabilidade (Profit and Sustainability Rules) da English Football League (EFL) relativas à época 2023/24. Na prática, o clube ultrapassou o limite de perdas permitido em 20,8 milhões de libras, tendo o seu período de cálculo sido reduzido de 37 para 36 meses. Sem esta penalização, o Leicester teria 48 pontos e ainda estaria na luta pela permanência. No entanto, a direção admite que a equipa não apresentou o rendimento esperado ao longo de toda a temporada, independentemente da sanção. A dança dos treinadores: o caos no comandoDesde a saída de Brendan Rodgers em 2023, o Leicester teve seis treinadores diferentes em três épocas. Na atual temporada, o clube começou com o espanhol Martí Cifuentes, contratado ao Queens Park Rangers, que não resistiu aos maus resultados e foi despedido em janeiro. A nomeação tardia de Cifuentes (a meio de julho) já tinha prejudicado a pré-época, e o seu registo de apenas 11 vitórias em 31 jogos no Championship selou o seu destino. O interino Andy King também não conseguiu travar a queda, acumulando quatro derrotas consecutivas. Gary Rowett, antigo treinador do Millwall, foi então contratado para uma missão quase impossível. Nos 11 jogos sob o seu comando, o registo foi de apenas uma vitória, sete empates e três derrotas, insuficiente para evitar a descida. Os erros em campo: uma equipa sem "raça"Gary Rowett não poupou nas críticas à sua própria equipa. O técnico salientou que o plantel, um dos mais bem pagos e caros do Championship, simplesmente não tem os elementos certos para vencer nesta divisão. "O Leicester foi 'cuspido' pelo Championship. A reputação não chega. É preciso ter certos elementos na equipa, e faltaram-nos alguns", afirmou Rowett. Os números comprovam as palavras do treinador. O Leicester é a equipa que cometeu mais erros defensivos a resultar em golo em toda a temporada. No jogo da descida, um passe desastrado do guarda-redes Asmir Begovic ofereceu o primeiro golo ao Hull City, num padrão que se repetiu "quase todos os jogos", nas palavras de Rowett. A falta de "clean sheets" (apenas cinco em toda a época) e a ineficácia na hora de finalizar (criaram muitas oportunidades, mas converteram poucas) foram os calcanhares de Aquiles. O capitão Ricardo Pereira também assumiu as culpas. "Somos os culpados, somos nós que estamos em campo e não fomos suficientemente bons. É difícil, não há uma resposta mágica, mas muita coisa correu mal: tivemos diferentes treinadores, diferentes jogadores, e não resultou." O adeus de Vardy e o legado perdidoA saída de Jamie Vardy, no verão de 2025, representou o fim simbólico de uma era. O avançado era o último remanescente do título de 2016 e a alma da equipa. A sua saída deixou um vazio de liderança dentro e fora de campo, que nenhum dos jogadores remanescentes (Winks, Daka, Ricardo Pereira) conseguiu preencher. A equipa, que começou a temporada no playoff após 10 semanas e ainda no topo da tabela em meados de dezembro, colapsou em 2026. A sequência de apenas uma vitória em 18 jogos no novo ano foi o prenúncio de um desfecho que, no final, se tornou inevitável. O silêncio ensurdecedor do presidente e a revolta dos adeptosO presidente do clube, Aiyawatt ‘Top’ Srivaddhanaprabha, foi alvo da fúria dos adeptos, que lhe pedem a saída. O responsável máximo do clube emitiu um comunicado a pedir desculpa, assumindo a responsabilidade. "Enquanto presidente, essa responsabilidade é minha. Não há desculpas. Vamos enfrentar isto de frente. Vamos continuar", escreveu. A declaração, no entanto, é vista como insuficiente para apaziguar os ânimos de uma massa associativa que assistiu, impávida, à destruição de um legado construído com base em milagres. A gestão danosa, o atraso nos salários, o corte de benefícios aos funcionários e as más decisões no mercado de transferências são crimes que os adeptos não perdoam. Aviso importante: Este artigo tem fins exclusivamente informativos. As informações são baseadas em fontes públicas e na análise da época desportiva de 2025/26. Referências completas
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