Governo Lula cobra explicações dos EUA e ameaça expulsar agentes americanos; encontro diplomático em Brasília discutiu crise após ordem de Trump Por Redação Infonews24hs | 22 de abril de 2026
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) manifestou discordância e exigiu esclarecimentos formais dos Estados Unidos após a expulsão do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava como oficial de ligação em Miami e participou da prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). O governo brasileiro não recebeu comunicação prévia oficial sobre a medida, que foi divulgada por meio de uma postagem na rede social X pelo Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado americano A crise diplomática ocorre na esteira da detenção de Ramagem pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA (ICE), na semana passada, em Orlando, na Flórida. Considerado foragido pela Justiça brasileira após ser condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, o ex-deputado foi detido, mas acabou solto dois dias depois, sem aviso prévio às autoridades brasileiras [citation:1][citation:8]. A expulsão do delegado elevou o caso a um patamar de tensão diplomática entre Brasília e Washington. “Reciprocidade”: Lula ameaça expulsar agentes americanosA resposta do governo brasileiro veio em dois níveis: diplomático e público. Em Hannover, na Alemanha, durante viagem oficial à Europa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil pode adotar o princípio da reciprocidade, expulsando agentes norte-americanos que atuam no país. “Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa. Nós não podemos aceitar essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas personalidades americanas querem ter com relação ao Brasil”, declarou o presidente O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, reforçou o tom, afirmando que o Brasil “sempre tem a lógica da reciprocidade”, mas ponderou que é preciso “aguardar” mais informações antes de tomar qualquer decisão definitiva. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também se manifestou, considerando o pedido americano “sem fundamento”, uma vez que o delegado brasileiro atuava em conjunto com as autoridades dos EUA, com base em memorandos de cooperação bilateral. Reunião em Brasília: Brasil pede explicações e não descarta retaliaçãoNo fim da tarde desta terça-feira (21), o diretor do Departamento de América do Norte do Itamaraty, ministro Christiano Figuerôa, reuniu-se com a encarregada de negócios da Embaixada dos EUA em Brasília, Kimberly Kelly. Durante o encontro, diplomatas brasileiros cobraram explicações formais sobre a expulsão do delegado e sinalizaram que agentes americanos em território brasileiro podem ser alvo de medida equivalente A reunião ocorreu em meio a uma avaliação no Itamaraty de que a postagem em rede social não substitui uma comunicação diplomática formal. O governo brasileiro aguarda, até agora, uma notificação oficial pelos canais competentes antes de adotar qualquer medida definitiva ou emitir uma nota pública mais detalhada [citation:5][citation:10]. A embaixada dos EUA confirmou o encontro, mas afirmou que não comenta “conversas diplomáticas privadas” O que dizem os EUA: “manipulação do sistema de imigração”A justificativa oficial do governo americano para a expulsão foi divulgada na segunda-feira (20) por meio da conta do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado. A nota afirmava que “nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro relevante deixe nossa nação por tentar fazer isso Segundo apuração da imprensa, Washington considerou que o delegado Marcelo Ivo teria induzido os agentes locais do ICE ao erro, convencendo-os a ter Ramagem como alvo com base em informações da cooperação policial, em vez de utilizar os canais diplomáticos formais para a extradição. O governo Trump interpretou a ação como uma violação dos protocolos e uma tentativa de “caça às bruxas política” em solo americano As autoridades dos EUA abriram uma investigação para apurar a conduta do delegado brasileiro, incluindo possíveis crimes como abuso de autoridade, falsidade ideológica e improbidade administrativa [citation:7]. O Departamento de Justiça dos EUA, responsável por executar pedidos de extradição, não tem demonstrado intenção de cumprir o pedido contra Ramagem, que atualmente tem um pedido de asilo por perseguição política em análise [citation:8]. Contexto: substituição do delegado já estava previstaA portaria que determinava a substituição de Marcelo Ivo no cargo de oficial de ligação em Miami foi assinada em 17 de março e publicada no Diário Oficial da União em 20 de março, cerca de um mês antes da expulsão. A delegada Tatiana Alves Torres foi designada para assumir a função por dois anos, o que sugere que a rotatividade no cargo fazia parte do planejamento interno da Polícia Federal [citation:5]. Marcelo Ivo de Carvalho, que tem 22 anos de carreira na PF, atuava como oficial de ligação junto ao Departamento de Segurança Interna dos EUA desde agosto de 2023. Ele embarcou de volta ao Brasil nesta terça-feira (21) e deve chegar ao país na quarta-feira (22) A Polícia Federal ainda não foi oficialmente informada sobre os motivos da expulsão Tensão em meio a acordo de cooperaçãoA expulsão do delegado ocorre poucos dias depois de Brasil e Estados Unidos terem anunciado, no dia 10 de abril, uma nova frente de cooperação contra o crime organizado, com troca de informações para combater tráfico de drogas e armas [citation:10]. A medida representa uma retribuição simbólica da gestão Trump pela cassação do visto do oficial do Departamento de Estado Darren Beattie, que tentou visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão sem autorização do governo Lula. A decisão do governo americano é mais um episódio na escalada de tensão entre Brasília e Washington, num momento em que o Brasil se prepara para as eleições presidenciais de outubro, nas quais Lula concorre à reeleição tendo como principal adversário o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Aviso importante: Este artigo tem fins exclusivamente informativos. As informações baseiam-se em fontes públicas e podem ser atualizadas pelos governos envolvidos. O desfecho do caso depende de desdobramentos diplomáticos e investigações em curso. Referências completas
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