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| Havertz apareceu nos acréscimos para decidir o jogo no Alvalade. O Arsenal vence 1-0 e sai de Lisboa com vantagem para a segunda mão no Emirates a 15 de abril. |
O Sporting CP perdeu em casa por 1-0 frente ao Arsenal no primeiro jogo dos quartos de final da Liga dos Campeões 2025/26. O golo que decidiu tudo aconteceu nos acréscimos da segunda parte e foi marcado por Kai Havertz, que entrou do banco e fez exactamente aquilo para que Mikel Arteta o pediu: aparecer nos momentos que contam. O Estádio José Alvalade em Lisboa ficou em silêncio quando a bola entrou na baliza de Rui Silva.
Foi um jogo de muita luta, poucos espaços e poucas oportunidades claras. O Sporting entrou melhor, com Maxi Araújo a tentar logo nos primeiros minutos uma saída pelo lado esquerdo que o poste da baliza de David Raya interrompeu. Os Leões pressionaram alto, controlaram territórios por longos períodos e não deixaram o Arsenal respirar com conforto durante grande parte da primeira meia hora. A equipa de Rui Borges tinha o plano claro: fechar os espaços, ser agressiva na pressão e capitalizar nas transições rápidas com Trincão e Catamo nas alas.
O Arsenal, por seu lado, chegou a Lisboa com a melhor campanha europeia da sua história nesta temporada: dez jogos sem perder desde a fase de grupos. Mas a equipa de Arteta nunca encontrou o seu melhor ritmo no Alvalade. Viktor Gyökeres, que se tornou jogador do Arsenal no verão passado depois de duas épocas extraordinárias precisamente no Sporting, teve um golo anulado por fora de jogo num momento em que os ingleses pareciam perto de quebrar o empate. O sueco, que marcou 97 golos em 102 jogos pelos Leões entre 2023 e 2025, foi recebido com assobios pelo público que um dia o adorou.
A ENTRADA QUE MUDOU O JOGO
O segundo tempo continuou no mesmo registo. Arteta mexeu cedo no jogo, substituindo Ødegaard por Havertz com o marcador ainda a zeros. Depois entrou Martinelli por Trossard e Madueke deu lugar a Max Dowman. Era um Arsenal claramente à procura de algo diferente, de alguém capaz de desequilibrar. A resposta chegou tarde, nos acréscimos, quando parecia que o empate seria o resultado justo.
Martinelli recebeu a bola em profundidade e fez o passe cirúrgico para Havertz, que surgiu dentro da área, controlou com qualidade, disparou com o pé direito e bateu Rui Silva. Golo. O Alvalade não podia acreditar. Havertz festejou com contenção, consciente do significado do momento num estádio onde jogou algumas das suas melhores noites europeias com as equipas adversárias.
"Football is a funny game and it brings special stories", disse Arteta depois do jogo, parafraseando algo que já tinha dito meses antes sobre o mesmo jogador. Havertz tem um talento especial para aparecer quando o Arsenal mais precisa. Já tinha marcado o golo do triunfo contra o Chelsea nos acréscimos, aos 97 minutos, no Carabao Cup. Hoje repetiu a dose em palco ainda maior.
UM RESULTADO QUE PESA MAS NÃO DECIDE
Para o Sporting, a derrota é dura mas não fatal. A segunda mão joga-se no dia 15 de abril no Emirates Stadium em Londres, e os Leões ainda têm vida nesta eliminatória. O problema é o contexto: o Arsenal no Emirates, com o apoio dos seus adeptos, é uma das fortalezas do futebol europeu. Os ingleses chegam ao segundo jogo com a vantagem do marcador e a necessidade de defender bem durante 90 minutos.
A equipa de Rui Borges tem uma história recente que inspira algum optimismo. Nos oitavos de final, o Sporting recuperou uma desvantagem de 3-0 frente ao Bodø/Glimt e venceu 5-3 no agregado numa das maiores remontadas da história recente da competição. Essa capacidade de resiliência e crença em momentos adversos é o argumento mais forte que os adeptos do Sporting têm para continuar a acreditar.
Mas recuperar contra este Arsenal, com este calendário europeu, num estádio como o Emirates, é uma missão de enorme dificuldade. Os Gunners são a equipa com mais limpezas a zeros nesta edição da Liga dos Campeões: seis ao todo. A defesa, liderada por Saliba e Gabriel Magalhães, tem sido um muro consistente ao longo da época.
O SPORTING E O SONHO QUE PODE DURAR ATÉ 15 DE ABRIL
Rui Borges terá até à próxima semana para pensar em como atacar o Arsenal em Londres. Morten Hjulmand, capitão e motor do meio-campo leonino, cumpria suspensão esta noite e a sua ausência foi sentida na organização defensiva. Com o retorno do médio dinamarquês para o segundo jogo, o Sporting recupera o seu equilíbrio natural entre linhas.
O golo de Havertz nos acréscimos deixou mais marcas do que os simples três pontos que coloca no bolso do Arsenal. Roubou ao Sporting um empate que teria sido um resultado válido para levar para Londres. E, acima de tudo, deixou a equipa portuguesa com a obrigação de marcar no Emirates para ter qualquer hipótese de avançar para as meias-finais.
A historia do futebol é feita de momentos como este. A segunda mão acontece daqui a oito dias. O Sporting já mostrou que sabe sofrer e ressurgir. A questão é se consegue fazê-lo em Londres, contra um Arsenal que, mesmo a jogar mal, encontra forma de ganhar.
