Agente americano perde acesso a bases de dados da PF em Brasília; medida atende a princípio de reciprocidade anunciado por Lula após expulsão de delegado brasileiro Por Redação Infonews24hs | 22 de abril de 2026
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, anunciou nesta quarta-feira (22) a retirada das credenciais diplomáticas de um agente dos Estados Unidos que atuava dentro de uma unidade da PF em Brasília. A decisão foi tomada como resposta à expulsão do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, que estava destacado em Miami e participou da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ). Segundo Rodrigues, o oficial americano era um policial que trabalhava em cooperação com a PF brasileira. Com a retirada das credenciais, ele perde acesso às instalações da corporação e às bases de dados usadas para a cooperação entre as polícias dos dois países. A medida atende ao princípio de reciprocidade anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ameaçou retaliar agentes americanos no Brasil após a expulsão do delegado brasileiro. “O princípio da reciprocidade, como regra geral, rege as relações internacionais”, afirmou Rodrigues. Entenda a cronologia da crise diplomáticaA tensão entre Brasil e Estados Unidos teve início na semana passada, quando o ex-deputado Alexandre Ramagem, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado, foi detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA (ICE) em Orlando, na Flórida, após uma infração de trânsito. Na segunda-feira (20), o governo americano solicitou a saída do delegado Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava como oficial de ligação da PF junto ao ICE desde agosto de 2023. Em nota publicada no X (antigo Twitter), o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado acusou o policial brasileiro de tentar “manipular o sistema de imigração dos Estados Unidos para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território americano”. Na terça-feira (21), durante viagem a Portugal, o presidente Lula afirmou que o Brasil poderia adotar o princípio de reciprocidade. “Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa”, declarou Lula. No dia seguinte, a PF executou a medida. A defesa da PF e a condenação de RamagemO diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, rebateu as acusações do governo americano. “Não é possível alguém imaginar, que não seja nessa vilania de rede social, que um policial federal estaria nos Estados Unidos para enganar autoridades norte-americanas”, afirmou. Segundo Rodrigues, a atuação do delegado seguiu os acordos de cooperação internacional estabelecidos entre os dois países — mais de uma dezena de tratados que permitem a atuação de policiais brasileiros no exterior. Alexandre Ramagem foi condenado em setembro de 2025 pelo STF na mesma ação penal que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele vive nos Estados Unidos desde o ano passado e é considerado foragido pela Justiça brasileira. Apesar da condenação, o ex-deputado foi solto após dois dias de detenção e aguarda a análise de um pedido de asilo político. O governo brasileiro já solicitou formalmente a extradição de Ramagem em dezembro de 2025. Aviso importante: Este artigo tem fins exclusivamente informativos. As informações são baseadas em fontes públicas e declarações oficiais dos governos brasileiro e americano. O desfecho do caso depende de desdobramentos diplomáticos e investigações em curso. Referências completas
Leia também |
