Atos descentralizados em capitais como São Paulo, Rio, BH e Brasília pressionam Congresso por votação imediata; ministro Luiz Marinho defende redução para 40 horas semanais sem corte salarial, e projeto já tramita com urgência constitucional
Por Redação Infonews24hs | 1º de maio de 2026
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| Centenas de milhares de trabalhadores saíram às ruas em todo o Brasil neste 1º de Maio para exigir do Congresso a aprovação imediata do fim da escala de trabalho 6x1 |
Centrais sindicais de todo o Brasil organizaram atos descentralizados neste 1º de Maio, Dia do Trabalhador, com uma pauta única e clara: o fim da escala de trabalho 6x1. As manifestações ocorrem em capitais como São Paulo (Praça da República), Rio de Janeiro (Copacabana), Belo Horizonte (Praça Raul Soares) e Brasília (Eixão do Lazer), além de dezenas de outras cidades. Os trabalhadores exigem a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e combater o que especialistas chamam de "escala perversa", especialmente prejudicial para as mulheres e para a saúde mental dos trabalhadores.
Para mais informações sobre propostas do governo Lula para 2026, consulte o nosso artigo sobre as diretrizes do PT para a campanha deste ano.
O que está em jogo: a proposta do governo e os números da polémica
O governo federal, por meio do Ministério do Trabalho e Emprego, defende a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, garantindo duas folgas por semana — o chamado regime 5x2 — sem qualquer corte salarial. A proposta foi formalizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei com urgência constitucional, acelerando a tramitação.
Segundo o ministro Luiz Marinho, a mudança é urgente e necessária. "É provado que estão aumentando demasiadamente as doenças profissionais, especialmente doenças mentais, mas também acidentes e faltas. O governo defende com muita clareza a redução para 40 horas semanais, sem redução de salário, com duas folgas na semana, para mudar a escala perversa, especialmente para as mulheres", afirmou o ministro em entrevista ao programa "Bom Dia, Ministro".
Ao mesmo tempo, Marinho tentou acalmar os receios do setor empresarial, que teme aumento de custos e perda de competitividade. O ministro argumentou que a medida não representa o fim do trabalho aos fins de semana, mas sim uma reorganização das folgas, que podem ser definidas por negociação coletiva. "Uma empresa que necessita trabalhar os sete dias da semana vai poder trabalhar os sete dias da semana. Não é verdade que está proibido. As folgas podem ser consecutivas ou não, depende da formatação que o Congresso aprove", esclareceu.
Tramitação no Congresso: urgência aprovada e pressão popular
A pressão das ruas tem surtido efeito. No final de abril, a Câmara dos Deputados aprovou o regime de urgência para oito projetos de lei, embora o projeto específico sobre o fim da escala 6x1 ainda aguarde definição de comissão especial. Na prática, a urgência permite que as propostas sejam votadas diretamente no Plenário, sem a necessidade de passar por todas as comissões temáticas, acelerando significativamente o processo legislativo.
O ministro Luiz Marinho defendeu que o Congresso aprove primeiro o projeto de lei — que tem trâmite mais rápido — e deixe para depois a discussão sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC). A estratégia visa garantir uma vitória mais rápida na Câmara e no Senado, antes que o calendário eleitoral de outubro complique a aprovação de medidas polémicas. A PEC, que alteraria diretamente a Constituição, exigiria um quórum mais alto e um processo mais longo, o que poderia inviabilizar a aprovação ainda em 2026.
Os trabalhadores, no entanto, não se contentam com meias medidas. A principal reivindicação das ruas é a aprovação imediata da PEC que institui o fim da escala 6x1 em todo o território nacional, independentemente de negociação coletiva. A pressão popular visa acelerar a votação de propostas que já estão em andamento no Legislativo, incluindo o projeto do governo federal e pelo menos sete outras iniciativas de parlamentares da oposição e da base aliada.
O que dizem os números: impacto na saúde e na produtividade
A escala 6x1 (seis dias de trabalho por um de descanso) é considerada uma das mais prejudiciais à saúde física e mental dos trabalhadores. Estudos do Dieese e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que trabalhadores submetidos a jornadas superiores a 40 horas semanais têm 30% mais risco de desenvolver problemas cardiovasculares, 45% mais risco de desenvolver depressão e ansiedade, e 25% mais propensão a acidentes de trabalho.
Entre as mulheres, o impacto é ainda maior. A dupla jornada — trabalho fora e trabalho doméstico — torna a escala 6x1 particularmente cruel, com impacto direto na saúde reprodutiva, na licença-maternidade e na capacidade de cuidar dos filhos. "As mulheres são as mais penalizadas pela escala 6x1. Muitas nem sequer têm tempo para se consultar ou para cuidar da própria saúde. O cansaço é tão grande que muitas acabam adoecendo", afirmou uma dirigente sindical durante o ato em São Paulo.
As manifestações de rua também servem como um alerta para os parlamentares. Com as eleições de outubro a aproximar-se, nenhum deputado ou senador quer ficar marcado como "contra o trabalhador". A escala 6x1 tornou-se um tema transversal que une trabalhadores de esquerda, centro e até de direita, especialmente entre os mais jovens, que são os mais prejudicados por este regime de trabalho.
Sobre políticas trabalhistas e direitos dos empregados, leia também o nosso artigo sobre as propostas do PT para 2026.
Onde ocorrem os atos e como participar
Os atos descentralizados ocorrem em praticamente todas as capitais do país. Em São Paulo, a concentração está marcada para as 10h da manhã na Praça da República, com caminhada prevista até a Praça Ramos de Azevedo (em frente ao Teatro Municipal). Em Rio de Janeiro, os trabalhadores concentram-se na Praia de Copacabana, no posto 6, com caminhada até o Leme.
Em Belo Horizonte, o ato está marcado para a Praça Raul Soares, na Savassi, com concentração a partir das 9h. Na capital federal, a manifestação ocorre no Eixão do Lazer, entre as tesourinhas do Museu Nacional e do Palácio do Itamaraty, com início marcado para as 10h. Nas outras capitais, os atos ocorrem nos locais tradicionais de manifestações, com destaque para Salvador (Campo Grande), Recife (Marco Zero), Porto Alegre (Redenção) e Fortaleza (Praça do Ferreira).
As centrais sindicais — CUT, Força Sindical, CTB, CGTB, UGT e Nova Central — organizaram os atos em parceria com movimentos sociais como o MST, a UNE e a CMP. Os trabalhadores são convocados a levar faixas, cartazes e bandeiras, com a palavra de ordem "Fim da escala 6x1 já". A expectativa das centrais é de que mais de 1 milhão de pessoas participem dos atos em todo o país.
Em Brasília, além do ato simbólico no Eixão do Lazer, os trabalhadores farão um protesto em frente ao Congresso Nacional, onde pretendem entregar um documento com 2 milhões de assinaturas pedindo a aprovação imediata da PEC. A pressão popular é a maior trunfo dos trabalhadores nesta reta final de tramitação das propostas.
Para quem não pode ir às ruas, as centrais sindicais organizaram uma campanha digital massiva nas redes sociais, sob a hashtag #FimDaEscala6x1. Os trabalhadores podem aderir digitalmente, partilhando conteúdos, enviando emails aos deputados e assinando petições online. A estratégia é amplificar a pressão sobre o Congresso e garantir que o tema não morra nas gavetas do parlamento.
Aviso importante: Este artigo tem fins exclusivamente informativos. As informações sobre a tramitação dos projetos de lei no Congresso Nacional são baseadas em fontes públicas e podem ser atualizadas pelos parlamentares ao longo do processo legislativo.
Referências completas
- 1º de Maio: atos em todo o país vão pressionar por redução da jornada. Brasil de Fato. 30 abril 2026. https://brasildefato.com.br/
- Ministro Luiz Marinho defende redução da jornada de trabalho para 40 horas. Agência Brasil. 28 abril 2026. https://agenciabrasil.ebc.com.br/
- Governo Lula envia ao Congresso projeto de lei com urgência para escala 5x2. Câmara dos Deputados. 25 abril 2026. https://www.camara.leg.br/
- CUT organiza atos do 1º de Maio em 26 capitais. CUT Nacional. 29 abril 2026. https://www.cut.org.br/
- Escala 6x1: impactos na saúde mental dos trabalhadores. Dieese. Março 2026. https://www.dieese.org.br/
