Sem Ronaldo, Bernardo e Rúben Dias, Bruno Fernandes assume o comando de Portugal

Na última grande convocatória antes do Mundial, Portugal apresenta-se diferente. Sem Cristiano Ronaldo, sem Bernardo Silva e sem Rúben Dias, a seleção das quinas atravessa o Atlântico para dois particulares históricos e chega ao Estádio Azteca com Bruno Fernandes no papel que sempre pertenceu ao capitão de Alcochete. O médio do Manchester United assume a liderança sem cerimónias, com a naturalidade de quem sempre esteve preparado para este momento, e deixou uma mensagem que diz tudo sobre o seu carácter: a postura não muda, esteja Ronaldo ou não.

A ausência do capitão habitual da seleção portuguesa nesta convocatória não acontecia desde 2018, e por si só seria motivo para debate alargado. Cristiano Ronaldo falha o estágio devido a lesão, numa altura em que Portugal se prepara para os jogos de preparação frente ao México, no próximo dia 28, no lendário Estádio Azteca, e frente aos Estados Unidos, a 31 de Março, em dois particulares que servem de ensaio final antes da lista definitiva para o Mundial 2026. Roberto Martínez vai ter assim a oportunidade única de avaliar o que é Portugal sem o seu talismã, com o torneio a arrancar a 11 de Junho.

Bruno Fernandes apresentou-se em conferência de imprensa com a serenidade e a autoridade de um líder consumado. O médio do Manchester United, que é nesta convocatória o jogador com mais internacionalizações no grupo, não quis inflar o momento mas também não fugiu à responsabilidade que lhe cabe. "Isso ainda não sei, não sei se vou jogar, por isso ainda não sei se vou ter a braçadeira ou não, mas obviamente que é um privilégio enorme se assim acontecer. São coisas que não chegamos a sonhar. Só estar na seleção por si só é o maior sonho que alguma vez poderia ter concretizado. Entrar em campo, poder cantar o hino e com a braçadeira de capitão poder liderar a equipa num jogo com um estádio tão icónico como é este, é um motivo de enorme orgulho para mim", afirmou o médio, numa declaração que revelou emoção genuína sem qualquer traço de arrogância.

Questionado sobre as ausências de Ronaldo, Bernardo Silva e Rúben Dias, Bruno Fernandes foi directo e esclarecedor, deixando claro que a sua abordagem ao grupo não se altera em função de quem está ou não disponível. "Não existe essa questão, porque eu venho para aqui para desfrutar, ajudar, fazer o máximo e o melhor pela seleção, fazer com que os meus colegas se sintam melhor, independentemente de estar aqui o Cris, o Bernardo ou o Rúben, ou de não estar, a minha postura vai ser sempre a mesma." Uma frase que encerra qualquer debate sobre dependência de figuras e que coloca Bruno Fernandes exactamente onde Portugal precisa de o ter neste momento: na liderança, sem condições.

O médio falou ainda com entusiasmo sobre a aproximação do Mundial e sobre as ambições de Portugal na competição. "O Mundial começa a aproximar-se e é bom termos este tempo para aprimorar as nossas ideias e o que o mister deseja que seja a nossa maneira de jogar e estar durante o Mundial. Eu não vejo isso como uma pressão ou algo negativo, vejo como algo positivo, porque as pessoas vêem-nos como bons jogadores, boa equipa, com uma seleção que pode fazer coisas boas", sublinhou o capitão interino, antes de garantir o respeito que Portugal merece no plano internacional. "Não há que ter medo de nada, mas há que respeitar, porque todos também vão respeitar Portugal."

Portugal está integrado no Grupo K do Mundial, ao lado do Uzbequistão e da Colômbia, com o quarto adversário ainda a definir. A convocatória de Martínez trouxe novidades como a estreia de Mateus Fernandes, do West Ham, e o regresso de Ricardo Horta, Gonçalo Guedes, Samu Costa, Rodrigo Mora e Tomás Araújo. Uma lista renovada, com oxigénio jovem e experiência suficiente para afirmar que Portugal chega ao México com ambição total. Com ou sem Ronaldo. Mas desta vez, pelo menos, com Bruno Fernandes a carregar a braçadeira.

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