SCHJELDERUP À BEIRA DO ABISMO: CONDENAÇÃO NA DINAMARCA PODE O MAIOR SONHO DA SUA VIDA

 

Andreas Schjelderup, o avançado norueguês de 21 anos que se tornou numa das figuras mais determinantes do Benfica, vive um dos momentos mais sombrios e incertos da sua carreira. A condenação pelo Tribunal Municipal de Copenhaga, a 14 dias de prisão suspensa por partilha ilegal de um vídeo de natureza sexual envolvendo menores de 18 anos, pode impedir o jogador de entrar nos Estados Unidos e, por consequência, de participar no Mundial de 2026 com a seleção da Noruega. O futuro do jogador fora dos relvados está por resolver — e o relógio não pára.

O caso remonta a 2023, quando Schjelderup tinha apenas 19 anos e representava o Nordsjaelland, clube dinamarquês onde esteve cedido pelo Benfica. O jogador confessou em tribunal ter recebido um vídeo pelo Snapchat e reencaminhado o conteúdo para um grupo de conversa com quatro amigos, reconhecendo desde os primeiros momentos que as pessoas envolvidas eram menores. "Recebi o vídeo como uma piada de mau gosto e partilhei-o num grupo com quatro amigos. Só depois percebi que envolvia dois jovens e que era de natureza sexual. Aconteceu tão rápido que nem pensei duas vezes. Quando reencaminhei, percebi rapidamente que era ilegal, por isso apaguei o vídeo do grupo e do meu telemóvel em menos de um minuto", declarou o jogador perante o juiz Mathias Eike, numa audiência de cerca de 45 minutos que encheu por completo a sala do tribunal, com jornalistas noruegueses e dinamarqueses a acompanhar cada palavra.

O Ministério Público da Dinamarca havia pedido entre 20 a 30 dias de prisão efectiva, mas o juiz optou por uma pena mais leve, tendo em conta a confissão do jogador, o arrependimento demonstrado e a ausência de antecedentes criminais. Schjelderup saiu do tribunal sem cumprir pena efectiva, mas com um registo criminal que ficou inscrito na sua documentação e que o coloca agora numa situação de enorme fragilidade perante as autoridades de imigração norte-americanas.

O problema é precisamente esse. A lei de imigração dos Estados Unidos prevê que crimes envolvendo menores possam ser classificados como de torpeza moral, o que frequentemente resulta na negação imediata do visto de entrada, a não ser que seja concedida uma autorização especial pelo Departamento de Segurança Interna em Washington. Um pedido nesse sentido já foi submetido, mas a resposta continua a tardar — e o Mundial arranca no próximo verão. Especialistas em direito de imigração alertam que processos desta natureza podem demorar mais de um ano a ser resolvidos, e que a decisão final está completamente fora do controlo do jogador e da sua equipa jurídica.

O próprio Schjelderup assumiu publicamente a impotência que sente perante uma situação que não depende de si. "Foi submetido um pedido. Não sei mais do que isso. Espero que a situação se resolva, e são essas as indicações que recebi, mas não sei mais nada. Não posso fazer nada quanto a isso", afirmou o jogador à televisão norueguesa TV2, numa declaração que revela a angústia de quem vê o maior sonho da sua carreira ameaçado por uma burocracia que não perdoa.

A Federação Norueguesa de Futebol acompanha o caso com atenção crescente. A presidente Lise Klaveness garantiu que o selecionador Stale Solbakken tem total liberdade para convocar Schjelderup, mas não escondeu as preocupações institucionais em torno do visto. "Vamos investigar se esta sentença terá impacto na entrada nos países anfitriões do Campeonato do Mundo", afirmou a dirigente, numa declaração que, embora cuidadosa, confirma que a federação não tem ainda a certeza de que o seu jogador poderá entrar nos Estados Unidos, no Canadá ou no México — os três países que acolhem a competição.

O escândalo só se tornou público em Novembro do ano passado, durante a segunda volta das eleições do Benfica, mergulhando o clube da Luz numa polémica que veio complicar um período já de si agitado. A revelação abalou a imagem de um jogador que, dentro de campo, tem sido exemplar na sua evolução e que se afirmou como um dos activos mais valiosos do plantel encarnado.

A ironia do destino é cruel. Schjelderup é hoje um dos jogadores mais em forma do futebol português e uma das peças mais importantes nos planos da Noruega para o Mundial. Toda essa excelência desportiva pode, no entanto, ser travada não por uma lesão ou por uma suspensão desportiva, mas por uma decisão tomada numa embaixada em Oslo. O Mundial está a menos de três meses. A resposta ainda não chegou. E a espera, para Schjelderup, é cada vez mais difícil de suportar.


Post a Comment

Previous Post Next Post