Mohamed Salah confirmou esta terça-feira, 24 de março, aquilo que muitostemiam mas poucos acreditavam ser possível tão cedo: o Rei Egípcio vai deixar o Liverpool no final da presente temporada. Num vídeo de dois minutos publicado nas suas redes sociais, o avançado de 33 anos despediu-se com emoção dos adeptos dos Reds, encerrando um capítulo de nove anos que ficará para sempre gravado na história de Anfield.
A mensagem de Salah foi curta, direta e devastadora para os adeptos do Liverpool. "Olá a todos, infelizmente chegou o dia. Este é o primeiro passo da minha despedida. Vou deixar o Liverpool no final da temporada", começou por dizer o egípcio, visivelmente emocionado. "Nunca imaginei como este clube, esta cidade e estas pessoas se tornariam parte da minha vida. O Liverpool não é apenas um clube de futebol. É uma paixão, uma história, um espírito. Não consigo explicar por palavras." Minutos depois, o próprio clube confirmou a saída com um comunicado oficial, declarando que Salah encerra "um capítulo de nove anos notável em Anfield."
O que torna este anúncio ainda mais surpreendente é o facto de Salah ter assinado uma renovação de contrato em abril do último ano, num acordo que o ligava aos Reds até junho de 2027. A decisão de sair antecipadamente reflete uma época marcada por desilusões colectivas e tensões internas. A relação com o treinador Arne Slot deteriorou-se de forma preocupante durante a temporada, culminando numa declaração pública do jogador em que afirmou ter sido colocado a servir de "escudo" pelo clube numa situação que o magoou profundamente. A época do Liverpool tem sido uma sombra da anterior, com uma defesa do título da Premier League claramente falhada, e Salah longe do seu nível habitual, com apenas cinco golos na liga — um contraste brutal com os 29 que marcou na conquista do título na temporada passada.
Os números de Salah no Liverpool falam por si e dispensam adjetivos. Em 435 jogos com a camisola vermelha, o egípcio marcou 255 golos, tornando-se o terceiro maior goleador de sempre do clube, atrás apenas de Ian Rush e Roger Hunt — e com tempo ainda para engrossar essa marca até ao final da temporada. Ao longo de nove anos, ajudou o Liverpool a conquistar dois títulos da Premier League, uma Liga dos Campeões, uma Taça de Inglaterra, dois troféus da Taça da Liga, a Supertaça Europeia e o Campeonato do Mundo de Clubes. Um palmarés que o coloca definitivamente entre os maiores da história do clube e da Premier League.
O destino de Salah é ainda desconhecido, mas as especulações são intensas. A Liga Saudita, onde os petrodólares continuam a atrair as grandes estrelas em final de carreira, surge como o cenário mais provável, seguindo os passos de outros nomes sonantes que fizeram a travessia para o Médio Oriente nos últimos anos. Ainda assim, fontes próximas do jogador não descartam uma última aventura europeia, e clubes de várias latitudes estarão certamente atentos. A MLS americana também foi mencionada como possibilidade, após o interesse demonstrado pelo Chicago Fire na época passada.
Para o Liverpool, o desafio que se avizinha é monumental. Substituir Salah não é apenas uma questão de contratar um jogador de qualidade equivalente — é tentar preencher um vazio que vai muito além dos golos e das assistências. Salah foi durante quase uma década o rosto, a alma e o coração do projeto dos Reds, o jogador que os adeptos identificavam com o clube em todo o mundo. A direção de Anfield terá de ir ao mercado com ambição e inteligência para garantir que a saída do Rei Egípcio não representa o início de um ciclo de declínio.
Até ao final da temporada, Salah prometeu dar tudo pelo clube que o transformou numa lenda. "Há muito ainda em jogo nesta época e estou completamente focado em terminar da melhor forma possível", declarou. Anfield vai despedir-se do seu Rei com a dignidade e a emoção que ele merece. Depois disso, uma era termina.
