Depois de três segundos lugares consecutivos que partiram o coração de uma geração de adeptos, o Arsenal de Mikel Arteta está mais perto do que nunca de pôr fim a duas décadas de espera e regressar ao topo de Inglaterra. Com nove pontos de vantagem sobre o Manchester City a sete jornadas do fim, os Gunners entram na reta decisiva da temporada carregados de confiança, mas também com a memória dolorosa de quem já sabe o que é ver um título escapar pelas mãos nos últimos metros.
O Arsenal soma neste momento 70 pontos em 31 jogos disputados, fruto de 21 vitórias, sete empates e apenas três derrotas, com uma diferença de golos de +39 que espelha uma consistência rara. Uma regularidade que, jornada após jornada, tem afastado os perseguidores e alimentado a crença de que esta é, finalmente, a época do regresso ao trono que pertencia a Arsène Wenger e aos seus Invencíveis de 2003-04. O Manchester City, segundo classificado com 61 pontos em 30 jogos e um encontro em atraso, encontra-se numa posição de extrema dificuldade.
O momento decisivo chegou na jornada 30, quando o Arsenal selou uma vitória por 2-0 sobre o Everton com golos tardios, enquanto o City deslizou num empate caseiro frente ao West Ham, 18.º classificado. Dois resultados que, combinados, parecem ter retirado a Guardiola qualquer margem de erro. O técnico catalão havia avisado antes do jogo que qualquer tropeção seria catastrófico. Depois do empate, garantiu que a corrida não estava terminada — mas a matemática começa a falar cada vez mais alto.
E a matemática fala a favor dos Gunners. Os principais modelos estatísticos europeus atribuem ao Arsenal uma probabilidade superior a 90% de conquistar o título, uma projeção extraordinária a esta fase da temporada. David Raya tem sido uma das grandes figuras da época, liderando a corrida à Luva de Ouro com 13 jogos sem sofrer golos, conferindo à defesa arsenalista uma solidez que tem sido a base de toda a campanha.
Antes de regressarem à liga, Arsenal e City defrontaram-se na final da Taça da Liga, marcada para 22 de março, num duelo que ia além da conquista do troféu e servia de ensaio geral para o confronto decisivo da Premier League. Esse choque pela liderança está agendado para meados de abril, no Etihad Stadium — um palco historicamente adverso para os Gunners, mas onde Arteta chega com o Arsenal invicto nos últimos seis encontros diretos entre as duas equipas.
O calendário que se segue é favorável. Apenas três dos sete jogos restantes são fora de casa, e só um desses deslocamentos é verdadeiramente longe de Londres. Uma distribuição que, a par da vantagem confortável na tabela, justifica o otimismo crescente entre os adeptos dos Gunners. O Arsenal não conquista o título da Premier League há 22 anos, e as três temporadas consecutivas a terminar no segundo lugar transformaram a ambição de Arteta numa questão de honra, de resiliência e de identidade.
A equipa cresceu, amadureceu e aprendeu com as feridas do passado. A questão já não é se o Arsenal tem qualidade para ser campeão — essa discussão foi encerrada há muito. A questão é se, quando a pressão for máxima e os nervos estiverem à flor da pele, os Gunners conseguirão fazer aquilo que ainda não fizeram na era Arteta: vencer quando mais importa.
As próximas semanas vão responder.
