Existe um paradoxo curioso no mundo da formação executiva global: as escolas de negócios mais respeitadas do planeta concentram-se, quase invariavelmente, nos grandes centros financeiros e académicos do hemisfério norte, em Boston, Londres, Paris, Zurique ou Singapura. E, no entanto, há uma escola portuguesa, instalada num campus frente ao Oceano Atlântico em Carcavelos, que nos últimos anos entrou consistentemente no grupo restrito das quinze melhores instituições de formação executiva do mundo. A Nova SBE Executive Education, braço de desenvolvimento de liderança e talento da Nova School of Business and Economics, é hoje uma das histórias mais surpreendentes e menos contadas do ensino superior português: uma referência global construída ao longo de quase cinco décadas de trabalho sistemático, rigor académico e uma capacidade de antecipação das necessidades do mundo empresarial que pouquíssimas instituições europeias conseguem igualar.
O reconhecimento mais recente chegou em Junho de 2025, através do Ranking do Financial Times para a Formação de Executivos, a publicação de referência mundial neste domínio. No segmento dos programas customizados, concebidos à medida das necessidades específicas de cada organização, a Nova SBE posicionou-se no décimo quinto lugar a nível mundial, mantendo-se no grupo restrito das quinze instituições de topo a nível global num universo de noventa e cinco escolas avaliadas. No segmento dos programas abertos, disponíveis a qualquer profissional ou executivo que pretenda inscrever-se individualmente, a escola subiu onze posições num único ano, alcançando o trigésimo lugar mundial num ranking de oitenta e cinco países. Uma ascensão que Pedro Brito, CEO da Formação de Executivos da Nova SBE, descreveu com a clareza de quem conhece bem o peso daquele reconhecimento: estar no top quinze mundial em programas customizados e registar uma subida de mais de dez posições nos programas abertos confirma que a escola está a formar lideranças preparadas para fazer a diferença. O Ranking Financial Times de 2025 colocou ainda a instituição no terceiro lugar mundial em aplicabilidade prática, um indicador que mede directamente a capacidade dos programas de produzir transformações reais no comportamento e na performance dos participantes.
A história da Nova SBE Executive Education começa em 1978, quando a instituição iniciou a sua actividade de formação de executivos numa Portugal que acabava de atravessar a turbulência da Revolução dos Cravos e começava a construir uma democracia e uma economia modernas. Naquele contexto histórico, a criação de um espaço dedicado ao desenvolvimento de líderes empresariais era simultaneamente uma aposta de futuro e uma necessidade urgente de um país que precisava de formar rapidamente uma nova geração de gestores capazes de competir num mercado europeu e global que se tornava progressivamente mais exigente. Quarenta e sete anos depois, o que começou como uma iniciativa pioneira transformou-se numa instituição com uma reputação consolidada em mais de quarenta países, com uma rede de antigos participantes que engloba dezenas de milhares de profissionais em empresas de todos os sectores e dimensões.
O campus de Carcavelos, inaugurado em 2014 e constantemente ampliado desde então, é o coração físico desta transformação. Construído na linha de costa do Estoril, a menos de vinte quilómetros de Lisboa, combina arquitectura contemporânea com um ambiente natural que os próprios responsáveis da instituição identificam como um elemento diferenciador da experiência de aprendizagem. A Marta Pimentel, directora executiva da Formação de Executivos, sintetizou a filosofia subjacente ao campus com precisão: a tradição confere conhecimento do mercado, reputação e consistência metodológica, mas é através de um exercício contínuo de escuta activa das organizações e dos seus líderes que a instituição garante a relevância contínua dos seus programas. O campus não é apenas uma infra-estrutura de sala de aula: é um hub de inovação onde a investigação académica e a realidade empresarial se encontram em condições de proximidade e de informalidade que os grandes campus urbanos raramente proporcionam.
A oferta formativa da Nova SBE Executive Education estrutura-se em quatro grandes categorias, cada uma concebida para um perfil específico de necessidade e de disponibilidade. Os programas de curta duração, que incluem cursos intensivos e workshops temáticos com duração de um a cinco dias, são a porta de entrada para profissionais que pretendem aprofundar conhecimentos específicos sem o compromisso de um programa de longa duração. As pós-graduações executivas, com uma duração média de seis a oito meses em formato semanal ou mensal, cobrem áreas como gestão financeira, marketing digital, recursos humanos, transformação digital, sustentabilidade e gestão de operações, e destinam-se a profissionais em exercício que pretendem actualizar ou expandir as suas competências técnicas numa área específica. Os Mestrados Executivos, com duração de doze meses e reconhecimento académico oficial, representam o nível mais exigente da oferta individual, combinando rigor académico com aplicação directa a projectos empresariais reais. O Mestrado Executivo em Liderança e Gestão da Mudança, por exemplo, realiza-se entre Outubro de 2025 e Outubro de 2026, com um investimento de 12 950 euros, reduzível para 10 142 euros para os participantes que obtenham bolsa de mérito, e envolve parcerias com instituições de referência em Lyon, St. Gallen e Roterdão.
Os programas customizados para empresas são, porém, a dimensão que mais distingue a Nova SBE Executive Education das suas congéneres e que explica em grande medida o seu posicionamento de topo no ranking do Financial Times. Ao contrário de um programa aberto, que oferece um currículo pré-definido a um grupo heterogéneo de participantes de diferentes empresas e sectores, um programa customizado é desenvolvido em co-criação com a organização cliente, a partir de um diagnóstico aprofundado dos seus desafios específicos, das competências que pretende desenvolver e dos resultados que espera obter. A instituição trabalha lado a lado com os seus parceiros para diagnosticar desafios, co-criar soluções formativas e acompanhar a implementação das mudanças. O resultado são programas profundamente alinhados com os objectivos do negócio, com impacto directo na cultura, na liderança e na performance. Marta Pimentel detalhou a metodologia com precisão: trabalhar com metodologias flexíveis que permitem ajustar formatos, conteúdos, timings, contextos e dinâmicas à medida de cada desafio, seja ele individual ou corporativo.
A integração da inteligência artificial nos programas executivos é, em 2025 e 2026, a fronteira mais activa de toda a oferta formativa da instituição. Marta Pimentel identificou cinco tendências que estão a moldar o desenvolvimento de talento neste período: a inteligência artificial generativa a assumir um papel central na personalização e nas recomendações em tempo real dos programas; a procura crescente por experiências, conexões e comunidades de aprendizagem estruturadas, para além do simples conhecimento técnico; a exigência de evidência clara de impacto, com programas integrados na estratégia empresarial e métricas concretas de performance, inovação e desenvolvimento de talento; a co-criação e personalização profunda que envolve os stakeholders críticos em cada etapa do processo formativo; e, finalmente, a consolidação do bem-estar, da sustentabilidade e da aprendizagem experiencial como pilares estratégicos da liderança do futuro. A inteligência emocional, trabalhada através de biometria, coaching, simulações e mentoria, é apresentada como competência central para liderar em ambientes de incerteza elevada, com a criação de espaços seguros para experimentar vulnerabilidade e novas respostas em cenários de pressão como metodologia diferenciadora.
A dimensão internacional da Nova SBE Executive Education é outra das suas características mais distintivas no contexto português. A instituição é membro da UNICON, a principal rede global de escolas de negócios em formação executiva, que permite o acesso a práticas inovadoras e o estabelecimento de alianças com escolas como Harvard, IMD e outras congéneres de referência mundial. Programas como o LisbON Immersive Experience, que combina imersão na ecologia de inovação de Lisboa com desenvolvimento de competências de liderança, e o Peak Performance Leadership: The Kilimanjaro Challenge, que transporta equipas executivas para as encostas da montanha mais alta de África como contexto para trabalhar resiliência e liderança sob pressão extrema, illustram a vocação da instituição para criar experiências transformadoras que transcendem o modelo convencional da sala de aula.
O que a trajetória da Nova SBE Executive Education demonstra, ao longo de quase cinco décadas e com o reconhecimento global que acumulou, é que a excelência académica e a relevância empresarial não são objectivos contraditórios mas sim complementares quando existe uma estratégia clara, uma obsessão pela qualidade e uma capacidade de ouvir o mundo antes de lhe ensinar alguma coisa. Portugal produziu, no cruzamento entre o Atlântico e a Europa, uma escola de negócios que o mundo foi aprendendo a respeitar. E que não mostra sinais de parar de surpreender.
