O Real Madrid venceu o dérbi, mas Kylian Mbappé saiu derrotado pela imprensa espanhola. Os 25 minutos que o avançado francês disputou no Bernabéu, depois de entrar como suplente no confronto frente ao Atlético de Madrid, foram suficientes para desencadear uma onda de críticas devastadoras por parte dos principais meios de comunicação espanhóis. A mensagem foi unânime e implacável: Mbappé passeou. E isso, em Madrid, não se perdoa.
A decisão de Álvaro Arbeloa de manter o francês no banco de partida gerou polémica desde o primeiro minuto. O técnico merengue admitiu depois do jogo ter sido "intencionalmente injusto" ao optar por deixar Mbappé e Jude Bellingham fora do onze inicial, justificando a escolha com a gestão cautelosa das recentes lesões dos dois jogadores. Mbappé tinha regressado de uma entorse no joelho e Bellingham estava a fazer a sua primeira convocatória após dez jogos de ausência. Arbeloa preferiu não arriscar — mas quando o francês entrou em campo, o que se viu ficou longe de justificar a expectativa.
El Chiringuito TV, o programa mais popular e mais influente do futebol espanhol, não usou meias palavras. Josep Pedrerol e os seus comentadores afirmaram que, após a expulsão de Federico Valverde aos 77 minutos, o Real Madrid ficou efectivamente reduzido a nove homens — porque Mbappé, na prática, não contribuiu com absolutamente nada. Uma afirmação brutal, que sintetiza o descontentamento crescente de uma parte significativa do ambiente mediático madrileno com o rendimento do jogador nos momentos decisivos.
O diário AS foi igualmente duro na sua análise. A publicação escreveu que Kylian Mbappé passou os seus 25 minutos em campo a passear pelo Bernabéu, sem impacto no jogo, sem pressão, sem a garra que se exige a um jogador que custou ao clube uma das transferências mais caras da história do futebol. A distância emocional entre Mbappé e o público do Bernabéu, já notada em semanas anteriores, voltou a ser apontada como um factor preocupante para um jogador que, tecnicamente, deveria ser o líder desta equipa.
O contraste com Vinícius Júnior não podia ser mais evidente — e a imprensa espanhola não perdeu a oportunidade de o sublinhar. O brasileiro, que foi o herói do dérbi com um doblete decisivo, voltou a mostrar exactamente o que Madrid quer ver: intensidade, presença, coração e golos quando mais se precisa. Tomas Roncero, voz influente e próxima do clube no jornal AS, resumiu o sentimento geral de forma cirúrgica: "Vinicius comete erros, mas coloca coração. É o exemplo que Mbappé deve seguir."
A situação é tanto mais delicada quanto o contexto em que surge. O Real Madrid atravessa uma fase de grande transformação sob o comando de Arbeloa, e a questão que começa a instalar-se nos bastidores do Santiago Bernabéu é cada vez mais incómoda: a equipa joga melhor sem Mbappé? Nas semanas em que o francês esteve lesionado, o Real somou resultados notáveis, incluindo a eliminação do Manchester City da Liga dos Campeões, com uma equipa mais compacta, mais comprometida defensivamente e mais ligada colectivamente. O regresso de Mbappé, em vez de elevar o nível, parece ter complicado o equilíbrio que Arbeloa tinha encontrado.
Com a pausa para as selecções nacionais à porta, Mbappé terá algumas semanas para reflectir, recuperar e trabalhar. A Liga dos Campeões e a LaLiga, onde o Real está a quatro pontos do líder Barcelona, vão exigir muito mais do que passeios de 25 minutos. Madrid precisa do melhor Mbappé. Por agora, esse Mbappé ainda não chegou.

