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| Técnico senegalês de 50 anos assinou contrato de quatro anos; presidente da FAF garante aposta na competência e inovação para projetar Palancas Negras a novos patamares |
O novo selecionador dos Palancas Negras, Aliou Cissé, foi apresentado oficialmente na tarde desta quinta-feira, 9 de abril de 2026, em Luanda, numa cerimónia que marcou o fim de dois meses de vazio no comando técnico da equipa nacional . O técnico senegalês, campeão africano ao serviço do Senegal em 2021, chega com um discurso ambicioso e a promessa de “escrever uma bela história” no país .
“Chego aqui com grande ambição e estou ansioso para começar a trabalhar com o grupo para que, juntos, possamos escrever uma bela história”, declarou Cissé, visivelmente emocionado, no momento da sua apresentação . O treinador de 50 anos, que capitaneou o Senegal no histórico Mundial de 2002 e liderou os “Leões de Teranga” durante nove anos, deixou claro que acredita no potencial do futebol angolano. “Os Palancas Negras têm jogadores de muita qualidade. Juntos, podemos projetar Angola para outros patamares”, acrescentou, citado pela Angop .
Cissé, que deixa o comando da Líbia menos de 48 horas antes de ser anunciado em Angola, assinou um contrato válido por quatro anos com a Federação Angolana de Futebol . O técnico torna-se assim no 37.º selecionador da história dos Palancas Negras e no único, entre todos, que possui no currículo um título de Campeão Africano de Nações .
“HOJE É UM DIA DE RENOVAÇÃO”
O presidente da FAF, Alves Simões, fez questão de enquadrar a contratação de Cissé como um marco na estratégia de desenvolvimento do futebol nacional. “Hoje é um dia de renovação, um dia em que reacendemos a esperança e reafirmamos com convicção a nossa ambição para o futuro do futebol nacional”, afirmou o dirigente na cerimónia realizada na capital .
Simões explicou que a escolha recaiu sobre o senegalês após um longo período de análise e que representa uma visão de longo prazo. “Esta contratação representa uma aposta firme na competência e na inovação, com o objetivo de construir uma equipa que orgulhe o país nos próximos compromissos. Dirigentes, atletas, equipa técnica, adeptos e influenciadores: que cada um se sinta parte deste mesmo objetivo”, declarou .
O presidente da FAF sublinhou ainda que, embora as exigências desportivas não tenham sido detalhadas publicamente, a missão do novo técnico passa por qualificar Angola para o Campeonato Africano das Nações de 2027 e para o Mundial de 2030 .
UM CURRÍCULO DE PESO
Aliou Cissé não é um estranho para o continente africano nem para os palcos mundiais. Como jogador, foi o capitão do Senegal que alcançou os quartos de final do Mundial de 2002, na Coreia do Sul e no Japão, eliminando a França campeã europeia na jornada de abertura .
Como treinador, orientou o Senegal durante quase uma década (2015-2024), tendo comandado 96 jogos, participado em dois Mundiais (2018 e 2022) e, o ponto mais alto da sua carreira, vencido o Campeonato Africano das Nações em 2022 (disputado em 2021 no Camarões), depois de ter sido finalista na edição de 2019, no Egito .
Antes de rumar a Angola, Cissé esteve ao comando da seleção da Líbia, onde permaneceu apenas 10 jogos, com registo de quatro vitórias, três empates e três derrotas . A saída relâmpago do cargo abriu caminho para o imediato acerto com a FAF, que negociava em paralelo há semanas.
O LEGADO DE PATRICE BEAUMELLE
Cissé substitui o francês Patrice Beaumelle, que rescindiu contrato com a FAF a 14 de fevereiro para assumir o comando técnico do Esperance de Tunis, na Tunísia . Beaumelle esteve à frente dos Palancas Negras durante um curto período, tendo orientado a equipa no Campeonato Africano das Nações de 2025, no Marrocos, onde Angola somou apenas dois pontos e foi eliminada ainda na fase de grupos, um resultado aquém das expectativas geradas pela qualificação invicta .
A saída de Beaumelle mergulhou a FAF num silêncio de oito semanas, período durante o qual Angola falhou a janela internacional da Data FIFA de Março, com os amigáveis diante da Jordânia e do Irão a serem cancelados.
OS DESAFIOS QUE SE AVISINHA
O novo selecionador não terá tempo para adaptações prolongadas. A fase de qualificação para o Campeonato Africano das Nações de 2027 está a aproximar-se rapidamente. O sorteio da fase de grupos está previsto para este mês de abril, devendo a campanha de qualificação ocorrer de setembro a novembro próximo .
Angola integra o pote 2 para o sorteio, ao lado de seleções como Cabo Verde, Moçambique, Zâmbia, Gana e Gabão. No pote 1 figuram as principais potências do futebol africano, com destaque para Marrocos, Senegal, Egito, Tunísia, Nigéria, Costa do Marfim e Camarões, o que faz antever uma etapa de qualificação exigente.
Além da CAN 2027, a FAF deixou claro que o objetivo de longo prazo passa pela qualificação para o Campeonato do Mundo de 2030, que será disputado em Marrocos, Portugal e Espanha . Angola apenas participou numa fase final do Mundial, em 2006, na Alemanha.
UM NOVO COMEÇO
A apresentação de Aliou Cissé em Luanda não foi apenas um ato formal. Foi o início de uma nova caminhada para os Palancas Negras, onde se depositam sonhos, responsabilidades e a urgência de devolver a confiança aos adeptos.
“Juntos, vamos escrever uma história”, prometeu o novo timoneiro . Mais do que um treinador, o país espera um líder capaz de unir, motivar e transformar. Alguém que compreenda o peso da camisola, a paixão do povo e a responsabilidade de representar uma nação inteira dentro das quatro linhas.
Cissé fará a sua primeira conferência de imprensa nos próximos dias, onde detalhará a sua visão e anunciará a equipa técnica que o acompanhará nesta jornada .
