UEFA DIZ NÃO AOS INGLESES — O LIMITE DE 25 JOGADORES NA CHAMPIONS MANTÉM-SE

A UEFA fechou a porta aos clubes ingleses. O organismo que governa o futebol europeu rejeitou formalmente o pedido da Premier League para alargar os plantéis inscritos na Liga dos Campeões de 25 para 28 jogadores na próxima época, mantendo o limite histórico que vigora há anos na prova e deixando os gigantes de Inglaterra a gerir sozinhos um calendário cada vez mais exigente e implacável.

A decisão não surpreende quem acompanha os bastidores da política desportiva europeia, mas não deixa de provocar ondas de choque nos clubes ingleses que mais investiram no argumento da saturação competitiva. Arsenal, Manchester City, Chelsea e Liverpool — todos com múltiplas frentes abertas entre a Premier League, as taças domésticas e a Champions — haviam defendido com vigor que o novo formato alargado da prova, com uma fase de liga de 36 equipas e pelo menos dois jogos adicionais em relação ao formato anterior, justificava plenamente uma actualização das regras de inscrição. A UEFA discordou.

O argumento dos clubes ingleses era sólido do ponto de vista desportivo e médico. Com um calendário que ultrapassa facilmente os 60 jogos por época nas equipas mais bem sucedidas, a gestão de lesões e a recuperação física tornaram-se os maiores desafios dos departamentos médicos de toda a Premier League. Aumentar o plantel inscrito para 28 permitiria aos treinadores gerir melhor a carga sobre os jogadores mais utilizados, reduzindo o risco de lesões graves e garantindo maior rotatividade nas fases decisivas da época. Para os clubes ingleses, a lógica era simples: mais jogos exige mais jogadores disponíveis.

A resistência veio de Espanha, e foi decisiva. Atlético de Madrid, Sevilha e Real Sociedad lideraram a oposição ao pedido inglês, argumentando que alargar os plantéis permitiria aos clubes mais ricos — leia-se, os da Premier League, a liga mais rica do mundo — acumular ainda mais talento e aprofundar a vantagem financeira e competitiva sobre os rivais europeus. O receio de que os ingleses transformassem os seus plantéis em verdadeiros arsenais de luxo com 28 jogadores de nível internacional foi o factor que acabou por inclinar a balança contra a proposta. A UEFA, sensível ao argumento do equilíbrio competitivo, optou pela estabilidade.

A decisão chega num momento particularmente difícil para os clubes ingleses na Champions. Esta semana, numa ronda que ficará na memória pelos piores motivos, Manchester City, Chelsea e Tottenham sofreram derrotas pesadas por três golos de diferença nas primeiras mãos dos oitavos-de-final, enquanto Liverpool perdeu fora em Galatasaray. Apenas Arsenal empatou em Leverkusen e Newcastle segurou um 1-1 frente ao Barcelona. O panorama europeu dos ingleses está longe de ser animador — e agora sabem que terão de resolver os seus problemas com os mesmos 25 jogadores de sempre.

Para os treinadores da Premier League, a mensagem da UEFA é clara e inapelável: adaptem-se. Num mundo em que o calendário não pára de crescer, a solução terá de passar pela gestão interna, pela aposta nos jovens das academias para preencher as vagas nos jogos menos decisivos e por uma política de recrutamento ainda mais criteriosa. A Champions continua a exigir o máximo — e a UEFA decidiu que o máximo se faz com 25.

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