O Barcelona recebeu um golpe devastador. Raphinha, capitão do clube catalão e uma das figuras mais determinantes desta temporada europeia, saiu lesionado ao intervalo do amistoso entre o Brasil e a França, disputado no Gillette Stadium, em Boston, com uma lesão no bíceps femoral da coxa direita. Os exames realizados pela CBF confirmaram a gravidade da situação: o atacante precisará de cinco semanas de recuperação, um prazo que coloca em risco a sua participação nos momentos mais decisivos da temporada blaugrana.
O momento da lesão não podia ter chegado em pior altura. O Barcelona enfrenta nos próximos meses os quartos-de-final da Liga dos Campeões frente ao Atlético de Madrid, um duelo de enorme dimensão e imprevisibilidade, além do clássico regional frente ao Espanyol na LaLiga. Em qualquer dos cenários, Raphinha não estará disponível. O jornal espanhol Marca não poupou nas palavras ao descrever o ambiente interno no Spotify Camp Nou, afirmando que a lesão gerou uma "raiva monumental" nos bastidores do clube, consciente de que a queda do seu capitão acontece precisamente quando a temporada entra na fase de maior exigência.
Esta não é a primeira vez que Raphinha enfrenta problemas nesta zona específica do corpo. Já em Setembro passado, uma lesão no tendão da coxa direita afastou o atacante dos relvados durante quase dois meses, com várias recaídas a complicar o seu regresso à competição. A recorrência no mesmo local acende um alerta vermelho tanto nos serviços médicos do Barcelona como na comissão técnica da seleção brasileira. Carlo Ancelotti, que chamou Raphinha ao intervalo do jogo frente à França e colocou no seu lugar Luiz Henrique, ex-Botafogo e actual jogador do Zenit, admitiu publicamente a preocupação. "Ele sentiu um desconforto muscular no final do primeiro tempo e tivemos que substituí-lo", afirmou o técnico italiano, que já tinha de gerir nesta Data FIFA as ausências de Gabriel Magalhães, Alisson Becker, Alex Sandro e Marquinhos por problemas físicos. Com a saída de Raphinha e Wesley, cortado com o mesmo problema, o número de baixas sobe para seis, um cenário que preocupa seriamente a estrutura da seleção canarinha.
O regresso de Raphinha a Barcelona foi imediato. O atacante de 29 anos voou de Boston para a capital catalã assim que as análises da CBF ficaram concluídas, tendo iniciado já o tratamento de recuperação nos serviços médicos do clube. O prazo de cinco semanas, caso seja cumprido sem recaídas, coloca o jogador disponível apenas no final de Abril, numa altura em que o Barcelona deverá já ter disputado a primeira mão dos quartos-de-final da Champions. A segunda mão e a fase final da LaLiga poderão contar com o seu regresso, mas qualquer complicação no processo de reabilitação poderá adiar esse retorno para Maio.
A tempestade não se fica pelo clube. O prazo de recuperação coloca Raphinha em dúvida para a convocação final da seleção brasileira para o Mundial 2026, prevista para 18 de Maio. Ancelotti e a CBF acompanharão com atenção redobrada a evolução clínica do jogador nas próximas semanas, conscientes de que o camisa 11 é uma peça fundamental no esquema táctico da seleção. A menos de dois meses da lista definitiva, o tempo para convencer o seleccionador italiano da sua forma física está a tornar-se perigosamente curto.
Numa temporada em que Raphinha soma 19 golos em 31 jogos pelo Barcelona, os números falam por si. A sua ausência vai doer. E o Atlético de Madrid, que aguarda nos quartos-de-final da Champions, sabe-o melhor do que ninguém.

