FARIOLI DEU UMA LIÇÃO A RUI BORGES E MOURINHO

 


O mês de março foi, provavelmente, o mais difícil da temporada para os três grandes. Campeonato, Taça de Portugal, competições europeias e clássicos misturados num calendário absolutamente brutal, sem margem para erros e sem tempo para respirar. No final, apenas um treinador saiu genuinamente vitorioso deste período infernal. Chama-se Francesco Farioli. E os seus rivais fariam bem em tomar nota.

Em seis jogos durante o mês de março, o FC Porto venceu quatro, empatou em campo difícil na Luz a dois golos com o Benfica, depois de ter estado a ganhar por dois golos a zero, e perdeu em Alvalade na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal. Um registo que, isoladamente, pode não parecer extraordinário. Mas quando se coloca em contexto, quando se percebe a densidade e a dificuldade daquilo que Farioli foi obrigado a gerir, o mérito torna-se inegável. O italiano não só manteve o Porto na liderança da Liga Portugal Betclic com sete pontos de vantagem sobre Sporting e Benfica como eliminou o Stuttgart da Liga Europa e conquistou pontos em todos os jogos do campeonato, incluindo numa deslocação ao Estádio Municipal de Braga que poucos esperavam ver o Porto vencer.

A chave de tudo esteve na rotação. Farioli percebeu desde o início que não podia exigir o mesmo onze semana após semana, e aplicou uma política de gestão do plantel que envolveu praticamente todos os jogadores disponíveis. Froholdt, Bednarek e Kiwior figuram entre os cinco jogadores mais utilizados da época, ao lado de Diogo Costa e Pepê, numa demonstração clara de que o treinador italiano não tem intocáveis nem favoritos, apenas soluções. O resultado está à vista: a melhor defesa do campeonato, com apenas onze golos sofridos em 27 jogos, e uma equipa que chega ao final de março fisicamente competente para enfrentar o que se avizinha.

Do lado do Sporting, Rui Borges viu a sua equipa perder pontos preciosos no campeonato precisamente quando mais precisava de os conquistar. A derrota no clássico em Alvalade deu ao Porto a vantagem na Taça, mas não escondeu as fragilidades defensivas que têm assombrado os leões nos momentos decisivos. O Sporting tem o melhor ataque do campeonato, com 68 golos marcados em 26 jogos, mas a incapacidade de fechar os jogos quando está na frente continua a ser o grande pecado de uma equipa que poderia estar muito mais perto da liderança.

José Mourinho e o Fenerbahçe, por sua vez, continuam numa temporada que está muito longe de corresponder às expectativas geradas pela chegada do treinador de Setúbal à Turquia. O histórico de Mourinho não se questiona, mas a forma como tem gerido os recursos humanos e a pressão do calendário turco coloca interrogações legítimas sobre se o Special One continua a ter a mesma capacidade de extrair o máximo de um plantel durante um ciclo de competição intensa. O contraste com Farioli, mais jovem, mais tranquilo e aparentemente mais adaptável às exigências do futebol moderno, é difícil de ignorar.

Farioli chegou ao Porto como uma aposta de André Villas-Boas num treinador sem grande historial em clubes de topo. Muitos duvidaram. Alguns riram. O italiano foi calando os céticos com resultados, com ideias e com uma maturidade táctica que raramente se vê em treinadores com a sua experiência. Março foi a prova definitiva de que esta equipa tem não só qualidade mas também carácter e organização para chegar ao fim da época a somar títulos.

A pausa para as selecções chegou em boa hora para o Dragão. Farioli concedeu dias de folga aos jogadores não convocados, uma decisão sábia e humana que revela a forma como o italiano vê a gestão do grupo. Quando o campeonato regressar, em abril, o FC Porto terá pela frente seis jogos em 19 dias, com o Nottingham Forest na Liga Europa e o Sporting na Taça como os momentos mais exigentes. Mas neste momento, com sete pontos de vantagem na liga e uma equipa unida, confiante e bem gerida, os dragões chegam a essa maratona final de temporada com uma vantagem que vai muito além da tabela classificativa. Chegam com um treinador que, em março de 2026, deu uma lição ao campeonato. E não foi um acidente.


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